Por Eliabe Castor

O ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) vem enfrentando uma série de reveses políticos e judiciais em um tempo ínfimo. Antes mesmo de deixar o Palácio da Redenção no dia primeiro de janeiro de 2019, eclodiu a Operação Calvário, em dezembro de 2018.

Na peça de um volumoso inquérito detalhado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), Polícia Federal e Controladoria Geral da União (CGU), Coutinho é apontado como chefe de uma organização criminosa que, supostamente, desviou R$ 135 milhões em propinas pagas a empresas terceirizadas que atendiam a Saúde e Educação na Paraíba. O ex-governador ainda foi preso e teve bens bloqueados pela Justiça.

Na seara política, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o tornou inelegível faltando cinco dias para as eleições municipais de 2020, quando disputava, ele, a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP). O então poderoso PSB paraibano, que um dia ele presidiu com mão de ferro o diretório estadual, foi minguado com a debandada em massa de prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas, rachou com parte do Partido dos Trabalhadores (PT) e assim veio descendo a ladeira, como o próprio Brasil em dias atuais.

E Ricardo Coutinho vem encolhendo ainda mais no partido socialista. O presidente nacional da agremiação partidária, Carlos Siqueira, antes um fervoroso admirador de Coutinho, já não expressa mais tamanho apreço. Prova maior foram suas declarações prestadas nesta quinta-feira ao programa radiofônico Arapuã Verdade, ao ser questionado sobre a ruptura envolvendo o ex-governador e o presidente estadual do PSB na Paraíba, o deputado federal Gervásio Maia.

Para Siqueira, a legenda não vislumbra qualquer tipo de mudança na sigla, deixando claro que Gervásio Maia vem realizando um importante trabalho no PSB paraibano, fortalecendo o partido para o pleito de 2022. Em bom português, o socialista quer manter uma boa relação com o governador João Azevêdo (Cidadania), que enfrenta oposição ferrenha de Ricardo Coutinho e seu grupo político, hoje muito fragilizado.

E para demonstrar tal fragilidade, Gervásio Maia declarou que há tempos não conversa com Ricardo Coutinho, estando a crise como nascedouro na postulação “natimorta” do ex-governador a prefeito de João Pessoa que, segundo o parlamentar, nada foi discutido com ele, havendo ciência do fato pela imprensa e redes sociais.

Outro detalhe importante revelado por Maia aos que comandam o Arapuã Verdade. Que comunga com a postura política e gestão do governador João Azevêdo, não aceitando qualquer tipo de intervenção nessa boa relação que mantém com o chefe do Executivo Paraibano.

Enfático, Gervásio Maia disse ainda que o clima amistoso com o governador é uma realidade, para em seguida finalizar informar que “João não faltou em nada comigo, não me deve nada e eu não faltei em nada com ele também, pelo contrário, me dediquei muito à eleição dele”, numa clara evidência que Ricardo Coutinho hoje é diminuto do PSB e, talvez, não tenha ele mais espaço no partido.

Por Eliabe Castor

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