Por Wellington Farias

Cícero Lucena (PP), prefeito eleito e diplomado de João Pessoa, deveria ter rapidamente vindo público recusar o benefício decorrente desse “arrumadinho” dos vereadores da Capital. Enquanto o País com o seu povo desaba num abismo de dificuldade, os “malandros” aumentaram seus próprios salários, do futuro prefeito, o vice etc.
Cícero tem razões de sobra para, neste seu retorno de sabor especial à vida pública, primar, sobretudo, pela ética e pelo zelo com o erário e o patrimônio que o povo lhe confiou cuidar.

Por quê?!
Pelo seguinte: é muito provável que seja intenção deliberada do prefeito eleito e diplomado de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), fazer a melhor gestão possível.
Considerando, entretanto, que o futuro é incerto, ele poderá não fazer a gestão dos sonhos; ou fazer uma péssima gestão. Afinal, o que será a administração de Cícero ninguém sabe; está nas mãos do futuro, depende de fatores além do seu controle e vontade; de circunstâncias outras alheias a sua capacidade de administrar.

Mas…
Considerando, no entanto, tudo o que já passou na sua trajetória política, desde ser execrado publicamente por uma campanha impiedosa que lhe impunha a alcunha de ladrão; as rasteiras que levou de “amigos” e “correligionários” de PSDB, Cícero tem o dever moral de fazer com que o seu retorno à vida pública seja pautado pela ética e pelo zelo com a coisa pública. O povo lhe deu um crédito de confiança…
Deste compromisso Cícero não poderá fugir. A menos – o que não é nada provável – que queira dar por confirmado, tudo aquilo que fizeram com ele no passado…
No caso de Cícero, agora não basta ser bom gestor, tem que ser honesto, sobretudo.

Novos tempos
O Cícero que está aí de volta, trazido triunfalmente nos braços pelo povo, depois de ter sido inocentado pela Justiça daquilo de que foi acusado. Pode, mas não deve vacilar no terreno minado da ética e da correção na condução do interesse público.

Quando estourou a bomba sobre a manobra imoral dos vereadores de João Pessoa, de aumentar salários em meio a um cenário de tanto sofrimento e dificuldade do povo, foi automática a expectativa de como o prefeito eleito se posicionaria. Esperava-se que o próprio Cícero se manifestasse e recusado a parte que lhe compete ou a mais alguém do Poder Executivo.

Os defensores mais apressados haverão de alegar que o novo prefeito de João Pessoa não poderia fazê-lo por se tratar de iniciativa de outro poder; que não pode haver intromissão de um sobre o outro etc. e tal. Mas naquilo que lhe beneficia, claro que pode.

Deu muito na cara: para evitar reclamações do Executivo, os vereadores incluíram o prefeito, o vice e (me parece) até secretário no balaio da safadeza, do desrespeito aos pessoenses.

Terceiro não vale
Na tarde desta quinta-feira (dia 17) no programa da Rádio Arapuan, o advogado Walter Agra, coordenador da equipe de transição, foi interpelado a respeito e disse que Cícero rejeitaria o benefício.

Quem garante que na pressa de zelar pela imagem do chefe em meio à indignação do povo, o senhor Agra não construiu aquela narrativa de blindagem de Cícero?

Mídias sociais
Cícero está todo dia nas mídias sociais, fala que nem o homem da cobra, mas silenciou justamente sobre um tema tão delicado, uma lambança que lhe beneficia?! Ficou estranho ele não ter rechaçado de primeira.

Por Wellington Farias

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