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Opinião: o incêndio de Roma, o fogo da Calvário e a prudência de Galdino

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Noite de verão em Roma, 18 de julho de 64 d.C.: um incêndio devastador irrompeu na área mais povoada da cidade onde havia prédios de 3 a 5 andares feitos de madeira. Os ventos espalharam as chamas rapidamente e o fogo se alastrou por outros bairros.

Por três dias, o incêndio ficou fora de controle e levariam outros três para ser vencido. Quase toda Roma foi destruída. Dos 14 distritos, apenas 4 não sofreram danos. O restante, cerca de 70% da cidade, foi devastado pelas chamas.

Logo após o incêndio começaram a circular versões da tragédia. As pessoas buscaram um responsável, afinal não podia haver “acaso” na capital imperial protegida pelos deuses. Nero foi o principal suspeito e os rumores envolvendo seu nome ainda persistem no imaginário coletivo até os dias atuais.

E nesse “calabouço” de intrigas e estórias fantasmagóricas, sem dúvidas a mais célebre foi a imagem de um imperador tocando lira diante de uma cidade incendiada. Esse painel tornou-se símbolo da insanidade e crueldade do governante e da degradação do Império Romano.

Agora, passado séculos, tecnologias como escutas e novos artifícios de captação de vozes. Novos caminhos do Direito, cujo seu “berço” mais célebre foi Roma, nos dão uma certeza: margens para dúvidas são raras, mas existem. E nesse diapasão, as escalas de sons são difusas e complexas.

O incêndio é aqui!

E se vivemos um novo e gigantesco incêndio, as labaredas não vêm da Austrália. Também não das terras que foram fecundados Rômulo e Remo, ambos alimentados por uma loba carinhosa. As chamas estão inseridas na Paraíba, “contagiando” todo um projeto político exitoso, embora os custos para operá-lo tenham sido, supostamente, escusos.

Falo do fogo ocasionado pela Operação Calvário, que vem transformando a figura do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) em carvão, tostando um bom legado administrativo deixado por ele e seus auxiliares supostamente implicados com pagamentos e recebimentos de propina; compra de agentes políticos e outros expedientes que fariam Nero e sua lira encantada “ruborizarem”.

Adriano Galdino e seu posicionamento ante a crise

O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), Adriano Galdino (PSB) assumiu uma postura correta, ao revelar que é preciso aguardar todos os expedientes jurídicos e investigativos findarem para emitir uma opinião concreta sobre a Calvário.

Para ele, a delação da ex-secretária de Administração da Paraíba, Livânia Farias, que denunciou repasses de dinheiro ao deputado federal Efraim Filho (DEM) e mais seis parlamentares estaduais não é, necessariamente, elemento final de culpabilidade dos citados pela ex-gestora.

Disse Galdino: “A delação por si só não é prova. Acredito na justiça paraibana e acredito também na inocência dos deputados que foram citados pela delação.” E nesse incêndio, o presidente da ALPB toma para si e a própria instituição que preside a legitimidade da parcimônia, pois jogar mais combustível em fogo “descontrolado” é ato irresponsável.

Além de Efraim Filho, foram citados os seguintes deputados estaduais: Edmilson Soares, Tião Gomes, Branco Mendes, Genival Matias e Lindolfo Pires, além de Arthurzinho, suplente de deputado estadual e filho do conselheiro Arthur Cunha Lima, este último afastado durante a 7ª fase da Operação Calvário, a Juízo Final.

 

Eliabe Castor
PB Agora

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