Por Eliabe Castor

A afirmação é: se o melhor general de um exército fica fora de um combate existem três motivos. Ou ele morreu em uma das batalhas, ficou ferido gravemente ou é a mais pura estratégia para enganar o inimigo, projetando uma “ressurreição” no “Dia D” para enfrentar seus oponentes.

Assim vejo as declarações do deputado federal Pedro Cunha Lima, licenciado do cargo por 120 dias e presidente estadual do PSDB na Paraíba. O jovem parlamentar colocou seu nome, de forma categoria, para disputar o governo do Estado em 2022, o que é válido e extremamente democrático.

O tucano convocou os partidos que figurão o campo das oposições ao governador João Azevêdo (Cidadania) para uma composição política que tenha como objetivo “dispensar” o chefe do poder Executivo da Paraíba e, claro, retirá-lo da poltrona do Palácio da Redenção.

Pedro Cunha Lima está agindo de forma assertiva. Trazer para si de uma só vez público e palco, críticas e respaldos para sua pessoa, deixando as especulações de uma possível postulação ao governo nas incertezas, estando na “surdina” do embate seu pai, o ex-governador e ex-senador Cássio Cunha Lima, também filiado ao PSDB, e aquele que tem mais poder de fogo em um possível embate nas urnas com Azevêdo.

E, confirmada tal estratégia, que só é possível, em dias de hoje, observar em bola de cristal, o partido tucano tem louvor. Pedro assume o embate e Cássio, possível candidato do clã, se fortalece politicamente nas articulações partidárias.

Confirmado Cássio, não Pedro, João Azevêdo ficará longe de voar em céu de brigadeiro. O tucano-mor aprendeu que, em dias atuais, sobrenome não conta. Repetir o erro de 2018 para ele está descartado.

É bom entender que, caso a união dos opositores de Azevêdo esteja, de forma concreta ligado, tal fato atrairá o PP do deputado federal Agnaldo Ribeiro e da sua irmã, a senadora Daniella Ribeiro, do mesmo partido, cujo pai foi vice-prefeito de Campina Grande na gestão do ex-prefeito Romero Rodrigues (PSD), estando o mandato findado em Janeiro de 2020, sendo eleito o ex-deputado estadual Bruno Cunha Lima (Solidariedade).

Agora uma observação: o clã Cunha Lima tem grande força política no compartimento da Borborema. Penetração há no Sertão. Mas, noutras áreas da Paraíba, o que um dia foi forte, já definha.

Para ter uma chance de êxito em 2022, Pedro Cunha Lima, por mais que tenha seus valores e densidade eleitoral, é infinitamente menor que seu pai, Cássio. E o grupo ainda terá que seduzir o PP e outras agremiações políticas para sua órbita e negociar com Romero Rodrigues um possível apoio caso um segundo turno venha a acontecer.

Por tudo isso, Cássio Cunha Lima é figura central nas costuras políticas da sua própria família e de outras, como os Ribeiro, cuja força nas urnas vem demonstrando que a hegemonia dos descendentes do ex-governador Ronaldo Cunha Lima já não é a mesma.

Aliás, o termo “hegemonia” do clã Cunha Lima definhou, daí a necessidade de colocar de forma precisa as peças no tabuleiro da política paraibana, a fim de manter um suspiro que dê condições à restauração de tal poder, caso contrário será sucumbido, aos poucos, pelo ostracismo.

Por Eliabe Castor

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