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Opinião: na PB, uma terceira via política quase nunca existiu, e a história conta

A história da Paraíba sempre foi acompanhada por eventos políticos, confrontos violentos. Assassinatos históricos. Tratados de paz e embates bélicos travados, por exemplo, entre franceses e portugueses. Tabajaras e potiguaras. Os holandeses “transformando” a outrora Filipeia de Nossa Senhora das Neves em Frederikstad.

Três ‘Joões’. Um Suassuna, outro Pessoa e um Dantas. Sangue derramado muitas vezes nos quintais paraibanos. Trégua e paz noutros tempos. Assim é a Paraíba. Estado que respira, espira, expira e inspira muitas histórias e movimentações políticas de cunho regional e nacional.

E é nesse cenário que o “Sublime Torrão” permanece efervescente. Em constante ebulição. Não há mais pistolas, espadas, flechas ou mosquetões e, sim, discursos eloquentes, posições partidárias firmes ou frágeis. Retórica e sofismo. Mentiras e verdades. Alianças e traições. Diplomacia e discussões. Dicotomia pura e simples na seara da política paraibana.

Esses, em geral, são os aspectos postos à mesa do ontem e hoje. Choques de ideias e conceitos salutares para a consolidação democrática. Os exemplos em vigor mais notórios residem em Campina Grande, cujo prefeito, Bruno Cunha Lima (PSD), e seu antecessor, Romero Rodrigues, que preside o diretório estadual da sigla, defendem o projeto político do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Outro grupo, capitaneado pelos irmãos Agnaldo e Daniella Ribeiro, respectivamente deputado federal e senadora, ambos do PP, gravitam no que hoje é chamado “Centrão”. Há os Rêgo, cuja força maior está no vice-presidente do Senado, Veneziano (MDB), alinhado ao sistema antagônico que repele o inquilino do Palácio do Planalto.

É claro que outros políticos de destaque que têm como base eleitoral a outrora Vila Nova da Rainha possuem suas tendências mais progressistas ou conservadoras. O que é natural.

E o que ocorre em João Pessoa? Bem, começo pelo posicionamento ideológico do governador João Azevêdo (Cidadania), que mesmo buscando evitar o assunto devido à pandemia, nutre certa simpatia pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Já o prefeito Cícero Lucena (PP) busca sua morada na neutralidade, mas que, ao chegar as eleições de 2022, buscará ler a mesma cartilha do chefe do Executivo estadual pela sintonia fina de pensamentos e parcerias.

Outra frente política

Já a “Unidade Democrática pela Paraíba”, que pelo próprio nome agrega os partidos de esquerda e centro-esquerda, abarcam não só João Pessoa e Campina Grande, mas todo o estado. E aqui se faz evidente que essa frente política é amplamente favorável ao nome de Lula como candidato a presidente do Brasil no próximo pleito.

Por isso observo: em poucos momentos da história paraibana uma terceira via política existiu. Seja no plano nacional ou estadual. Perrepista ou Liberal. Arena ou MDB. Dualidade que, mesmo em dias atuais com o pluripartidarismo, o que sempre imperou foi o embate do cordão azul contra o encarnado, em um pastoril profano e divino que faz a Paraíba única, no qual vencedores e vencidos se misturam no doce e muitas vezes perverso balé político.

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