Por Wellington Farias
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

O livro “Tchau, Querida”, de autoria do deputado federal cassado, Eduardo Cunha, não merece o menor crédito, tampouco tem algum valor histórico. É inútil como documento digno de compor o acervo dos registros impressos sobre o processo de Impeachment sofrido pela ex-presidente Dilma Rousseff.

Desde quando foi anunciado o lançamento, aguardamos com muita expectativa o polêmico livro. Era nossa intenção fazer várias colunas sobre os fatos mais relevantes e dignos de algum crédito revelado nesta obra. Uma forma de contemplar a curiosidade daqueles que por alguma razão não teriam acesso ao texto.

Na segunda-feira, data de lançamento nacional da obra, chegou ao meu Whatzap uma cópia do livro de Cunha no formado PDF.

Li as primeiras páginas e não fui mais adiante. Logo no início está bem claro que não é uma obra feita com esmero e, muito menos, com o compromisso sério de contribuir para a história recente da política brasileira com um importante capítulo. 

Somado o pouco que li mais o muito que a imprensa comentou a respeito, não há dúvidas de que o “Tchau, Querida” não passa de um libelo rancoroso motivado por um sentimento de vingança. O autor não deixa dúvidas de que aquelas mais de mil páginas foram produzidas para comprometer adversários e, até, comprometer reputações.

Paraíba

Abandonei a leitura nas primeiras páginas, embora estivesse ansioso para saber como teria sido a participação dos políticos paraibanos naquela trama forjada para derrubar Dilma Rousseff da Presidência da República.

Mas, na segunda-feira mesmo, a imprensa local deteve-se numa das narrativas mais ridículas e que tem a consistência de uma bolha de sabão: Eduardo Cunha afirma (pasmem!) que deu andamento ao processo de Impeachment de Dilma depois de ter sido hostilizado em sua visita à Assembleia Legislativa da Paraíba. Detalhe: os atos hostis teriam sido a mando do então governador Ricardo Coutinho; e que este havia se negado a mandar contingente policial para o Poder Legislativo, para oferecer-lhe segurança.

Alguém de sã consciência e de um mínimo de bom senso acredita que uma hostilidade ao presidente da Câmara Federal na Assembleia Legislativa seria o suficiente para que este desse início a um processo de impeachment que iria conduzir o País para o abismo?

Desde quando a maior autoridade de um País, eleita com o voto da maioria de milhões de brasileiros, pode ser catapultada do Poder que o povo lhe conferiu só porque um presidente da Câmara Federal fez biquinho por não ter sido bajulado na Paraíba? Ainda mais uma criatura com um perfil de Eduardo Cunha, um dos políticos mais corruptos que a história do País registra?

De Norte a Sul deste País, todos sabem que Eduardo Cunha pôs os pedidos de impeachment em banho Maria, na sua gaveta. Que só resolveu por pra frente quando três deputados do PT mantiveram a firme posição de votar pela sua cassação no Conselho de Ética da Câmara Federal.

O ex-governador Ricardo Coutinho reagiu imediatamente e, na segunda-feira mesmo emitiu uma nota sobre o episódio, que vai a seguir:

 

A nota

“Não se coloca PM dentro de outro Poder sem que seja oficialmente pedido. Não foi pedido e se tivesse sido, eu não atenderia, pois não havia risco algum e eu não ia tratar protestos democráticos com repressão. Queriam ampliar o palanque de propagação do golpe, só que aqui na Paraíba e comigo no Governo, nem pensar. Esse Eduardo Cunha fez muito mal ao Brasil. Das duas ou três vezes que ele veio à Paraíba, não o recebi. Comigo, não.

A Paraíba foi a porta de entrada da resistência democrática ao golpe de 2016. Tinha um governador e um governo que tinha lado, lado da democracia, lado dos interesses verdadeiros e não manipulados do povo, lado contra o golpe. Jamais ficaria de joelhos frente aos traidores da democracia no Brasil”.

 

Valor histórico

Eduardo Cunha perdeu uma grande chance de, pelo menos uma vez, prestar um bom serviço ao Brasil, oferecendo uma obra de credibilidade e de grande valor histórico, inclusive fazendo o mea culpa das armadilhas que ele aprontou para golpear o governo Dilma. 

Por Wellington Farias

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