“Não serei deputado de mim mesmo, serei deputado de uma causa e de um projeto chamado trabalho”. A afirmação empolgante e esperançosa foi proferida pelo deputado federal Gervásio Filho (PSB), após ser findada a apuração do primeiro turno das eleições de 2018.

Foi em sete de outubro do ano passado que Maia se sagrou deputado federal mais votado da Paraíba, obtendo uma votação que ultrapassou os 146 mil votos. Para ser exato, foram contabilizados em favor do socialista 146.860.

Em termos comparativos, 26 mil a mais que o segundo colocado, Aguinaldo Ribeiro (PP) e pouco mais de 85 mil recebidos por Ruy Carneiro (PSDB), o último a conseguir assento na Câmara Federal.

E sabe o que essa expressiva votação direcionada a Gervásio Filho resultou? Em nada, como diria o jornalista Tadeu Schmidt, que aos domingos comenta os jogos do Brasileirão em tom cômico, provocando risos nos telespectadores que o assistem.

Contudo, bem longe de ser jocoso, engraçado, divertido ou qualquer outro adjetivo relacionado à alegria, Gervásio Maia anda perdido no Planalto Central. Pouco operoso e muito distante do seu potencial político, o socialista, que presidiu a Assembleia Legislativa da Paraíba por dois anos, limita-se a subscrever pautas de colegas.

Residindo no chamado “baixo clero” da Câmara, sua visibilidade é quase nula em Brasília. E isso é lamentável, pois a Paraíba esperou e espera muito de Maia. O povo, bem distante da crise política que envolve o PSB paraibano, aguarda do parlamentar sua promessa de trabalho, e não sua atual postura, qual a seja, a de ser “condutor” de querelas partidárias.

Os 146 mil votos que lhe foram conferidos devem ser revertidos em ações afetivas e produtivas. Uma construção harmônica com a bancada federal paraibana e uma sintonia política aceitável com o governador João Azevêdo.

E dentro de uma linha de raciocínio lógico, entendo todo o imbróglio envolvendo o parlamentar e o chefe do Executivo paraibano. Contudo, Gervásio Maia precisa flexibilizar seu modo de pensar e observar com mais precisão que João Azevêdo é o governador da Paraíba.

E ele, Gervásio Maia, tem funções e prerrogativas distintas de Azevêdo, sendo uma das suas atribuições disponibilizar emendas individuais e conjuntas da bancada federal do Estado para o orçamento geral da União, a fim de serem aplicadas em obras estruturantes na Paraíba.

Gervásio Maia sabe disso, e precisa “acordar” do seu sonho beligerante e centrar suas atenções para o desenvolvimento do Estado, pondo disputas político-partidárias em segundo plano. E aqui não vou questionar os motivos que o levaram a não receber João Azevêdo em Brasília.

Digo, apenas, que foi um ato infeliz protagonizado pelo parlamentar, pois o governador estabeleceu contato com os demais membros da bancada federal paraibana, quando esteve na “capital do poder” na semana passada. Pior que isso; o socialista, da mesma sigla de Azevêdo, foi o único a não destinar emendas para o Estado.

Em tempo, Gervásio Maia tem direito a R$ 15 milhões que podem ser aplicados em obras de infraestrutura, aquisição de bens e serviços para Paraíba. Mas não destinou valor algum, para o orçamento geral da União de 2020.

E o mais grave: o socialista, mesmo tendo recebido ofício do Governo do Estado nos dias 6 de agosto e 9 de outubro solicitando recursos financeiros a projetos, preferiu o “calar” ao destinar, e nada foi posto para a Paraíba em valores.

O prazo para apresentação das emendas deve ocorrer durante o mês de outubro, com a discussão da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2020.

Eliabe Castor
PB Agora

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