Opinião: Daniella Ribeiro e a síndrome do sorvete que derrete a ética e dilapida a Coisa Pública

“Num pais de miseráveis não é surpresa a barriga vir na frente da ética e da moral”. A frase, muito oportuna para o tema desta coluna, foi esculpida em pedra sólida pelo jornalista Clóvis Rossi, decano da Folha de São Paulo e falecido em junho deste ano. Agora vou traçar o paralelo entre a proposição exposta e os últimos acontecimentos envolvendo a senadora Daniella Ribeiro (PP).

Como todos sabem do Oiapoque ao Chuí, a parlamentar tem vivido seus quinze minutos de fama, em profecia realizada pelo cineasta e pintor americano Andy Warhol, conhecido pelos coloridos retratos de Marilyn Monroe e Elvis Presley.

Senadora neófita, Danielle Ribeiro vem se destacado no Senado não por sua representatividade política e, sim, por atos de escárnio para os que a elegeram, e zombaria de baixa qualidade aos princípios morais e éticos que uma representante do povo – se ela sabe o que é – necessita ter minimamente na gaveta do bom senso.

Daniella Ribeiro, menina querida e mimada nascida em rica família paraibana, herdou o DNA “esquisito” dos seus antepassados. Para os que não sabem, o avô da parlamentar foi acusado como mandante do assassinato de João Pedro Teixeira, fundador da Liga Camponesa de Sapé (PB), em 1962.

Mas isso é apenas um detalhe, não buscando, aqui, pô-la na qualidade de serial killer. O gosto da moça é outro no país de miseráveis. Ela opta pela barriga, deixando a ética e moral na geleira dos esquecidos.

E não só vive Daniella Ribeiro de comilanças, que muito se assemelha à personagem Pantagruel, um grande boa-vida, alegre e glutão, encontrado em romance francês do século XIV. A senadora também gosta do nepotismo. Os salários de três parentes da parlamentar, que são lotados em seu gabinete, chegam a R$ 630 mil por ano.

Pois é: a caçula dos Ribeiro, comilona e afeita ao nepotismo, ainda é sovina. E não por viver na miséria citada no inicio deste texto, mas por presumir que tudo pode e ninguém deve contestar. Seria engraçado, não fosse trágico. A nobre senadora solicitou ressarcimento ao Senado de um sorvete cujo valor foi de R$ 17 e um cafezinho de R$ 5.

E para festejar o dinheiro público contido nas suas algibeiras Versac, também enviou ao Senado a solicitação de reembolso de um jantar, sendo o valor de R$ 420, quando se esbaldou em sorridos em luxuoso restaurante de Campina Grande. Os sorrisos dirigidos não para o povo, mas para os selfs de conceituado colunista que exerce sua função da Rainha da Borborema.

Mas Daniella Ribeiro, que frequentou os melhores colégios da rede particular de ensino, tendo obtido boas notas na disciplina “etiqueta”, viu sua gafe e solicitou, em rede social, desculpas aos mortais.

E o gesto simpático poderia até amenizar o escândalo, mas seu pai, Enivaldo Ribeiro (PP), que ocupa o cargo de vice-prefeito de Campina Grande, em ato intempestivo e de pouca educação, resolveu defender o membro da prole, adotando uma postura daquelas citadas por Maquiavel, no qual “os fins justificam os meios”.

O patriarca dos Ribeiro, em completo descontrole dos coronéis do século XVIII atacou a imprensa e todos que criticaram seu “bibelô. Disse o vice-prefeito em entrevista a um programa de rádio:

“Eu vou dizer uma coisa: O camarada que vier falar comigo sobre isso, só não vou mandar…É porque que não posso dizer o que tenho vontade. Essas pessoas que criticam para mim não valem nada, deviam se danar”.

PARLATÓRIO

Apesar de estar em seu primeiro mandato, Daniella tem ganhando destaque negativamente desde que assumiu o cargo de senadora, justamente pelos gastos que tem protagonizado. Dos três senadores paraibanos, ela é a que mais teria pedido ressarcimento de gastos até agora, chegando a quase R$ 50 mil em pouco menos de um ano de mandato.

Agora eu encerro o texto com profunda lamentação. Que falta faz Cássio Cunha Lima e Luis Couto.

Eliabe Castor
PB Agora

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