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Opinião: Bolsonaro faz acordo com o “centrão” e Wellington Roberto vende a alma ao diabo, ou ao contrário?

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Desde a sua campanha presidencial nas eleições de 2018, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticava o bloco de siglas conhecido como “centrão” do Congresso Nacional.

Na eleição de 2018, o general de pijama Augusto Heleno, hoje chefe do GSI, o órgão de inteligência da Presidência, certa vez cantarolou: “Se gritar pega ‘centrão’, não fica um meu irmão”. Na época, essa banda da velha política que corre ao ouvir uma sirene dava resguardo eleitoral a Geraldo Alckmin (PSDB). Águas passadas.

Hoje a linha ideológica que acompanha Bolsonaro na sua gestão, militares e políticos que o apoiaram na primeira hora, engolem a seco a total submissão do “mito” ao “centrão”.

Além desses que citei boa parte dos seus apoiadores estão atordoados, pois o presidente foi eleito com o discurso de se impor e combater o fisiologismo. Mas ao contrário do que prometeu, vem comprando descaradamente o apoio das agremiações partidárias conhecidas por barganhar com o Palácio da Alvorada há muito.

Apoio em troca de cargos

Apoio no Congresso em troca de cargos e benesses teoricamente têm dado a Bolsonaro certo fôlego para aprovar, mesmo que de forma pífia, algumas das reformas por ele e sua equipe de governo equacionaram. Principalmente a econômica, e nesse rolo compressor dar certo descanso ao “capitão cloroquina” em relação à possibilidade real de um Impeachment.

E nessas figuras do “centrão”, bloco que o próprio Bolsonaro participou por 27 anos, integrando, claro, o conhecido “baixo clero”, eis que surge uma vergonhosa figura paraibana que poucos o conhecem, exceto nos seus redutos eleitorais. Um reduto que ele açoita as urnas no chamado voto de cabresto.

Falo do deputado federal Wellington Roberto (PL), que também é um dos papas do “centrão” na Câmara e conseguiu emplacar a mulher, o filho e até um aliado com cargos importantes na esfera federal.

Wellington Roberto é uma mancha na história da Paraíba

Roberto vendeu a alma para o diabo, ou foi o diabo que vendeu a alma a ele? Mas isso pouco interessa. E aí me lembro do tempo de ginásio e as aulas do saudoso professor de matemática Abraão. Dizia ele, repetindo algo que aprendeu com seus mestres: “A Propriedade Comutativa garante que, em uma multiplicação, a ordem dos fatores não altera o produto”.

E não altera mesmo. Wellington Roberto de crítico feroz virou ferrenho defensor de Bolsonaro. Covarde? Talvez, contudo há uma máxima que os de pouca ética costumam se valer: “Todo homem tem seu preço”. Mas eu rebato com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Disse ele um dia: “Todo homem tem seu preço, diz a frase. Não é verdade. Mas para cada homem existe uma isca que ele não consegue deixar de morder”.

Seja com isca ou sem ela, o deputado Wellington Roberto conseguiu emplacar parentes, aderentes e amigos no alto escalão do governo que prefere balas de fuzil no lugar de vacina contra a Covid-19.

Que Wellington Roberto não seja esquecido em 2022 por ser venal

Bruno Roberto, filho do deputado, foi nomeado assessor especial do presidente do Banco do Nordeste, onde tem ascendência sobre os pedidos de empréstimos de grandes empresas e investimentos do banco na região.

Deborah Roberto, mulher do deputado, foi nomeada diretora de Saúde Ambiental da Funasa.

Também no Ministério da Saúde, Roberto emplacou Arnaldo Medeiros, na Secretaria de Vigilância em Saúde — foi ele quem, em dezembro, sem saber que o microfone estava ligado, disse que uma repórter era um “porre”.

E como se diz por aqui, Bolsonaro, “centrão”, Wellington Roberto são farinhas do mesmo saco. É muito saco para a democracia.

Eliabe Castor
PB Agora

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