Ao ensejo das comemorações pelo transcurso do 20º aniversário de fundação da Rádio Tabajara FM, nesta quinta-feira (08/08), o governador João Azevêdo anunciou a chegada de uma nova emissora ao que poderíamos chamar de sistema oficial de comunicação: a Rádio Parahyba 103.9 FM. Na verdade, trata-se da migração da histórica Rádio Tabajara da Paraíba (AM 1.110) para a frequência modulada.

O surgimento da Rádio Parahyba provoca um duplo sentimento numa geração de ouvintes e, também, de profissionais da comunicação que por ali passaram: um, de regozijo com a chegada de um novo veículo de comunicação; o outro, de tristeza pelo fim da mais antiga e tradicional emissora da Paraíba, com mais de 80 anos de existência e uma riquíssima história: a Tabajara fundada em 25 de janeiro de 1937 no governo de Argemiro de Figueiredo sob o nome de Rádio Difusora da Paraíba PRI-4. Tabajara dos memoráveis programas de auditórios; de Abelardo Jurema, Fernando Milanez, Humberto Lucena, Paschoal Carrilho, Severino Araújo, Paulo Pontes, Jonildo Cavalcanti, Paulo Rosendo etc.

Os dois sentimentos me afetam, particularmente.

Como ouvinte: Desde meu tempo de criança, em Serraria, acompanhava, pelas ondas eletromagnéticas da então PRI-4, as radionovelas, o inesquecível Show das 13, com Carlos Antônio; e o Informativo Tabajara que, de hora em hora, punha no ar as mais recentes notícias estaduais, nacionais e internacionais, pelas vozes inconfundíveis e inesquecíveis de Paulo Rosendo, Antônio Assunção, entre outros.

Como profissional: em 1977, cheguei ao histórico prédio da PRI-4 Rádio Tabajara da Paraíba, para um estágio de seis meses, me preparando para preencher a vaga deixada pelo jornalista Armando Nóbrega, natural de Santa Luzia. Nóbrega estava se despedindo do Departamento de Radiojornalismo da emissora. Começava, portanto, a minha trajetória no mundo da comunicação, graças à oportunidade que me foi oferecida pelo jornalista Gilvan de Brito, então chefe do Departamento, e que apostou no meu potencial.

Privilégio

Tive a sorte e o privilégio de começar a minha carreira profissional pela Rádio Tabajara e pelo Jornal A União, historicamente reconhecidos como as duas melhores escolas de jornalismo da Paraíba, pelo menos até o advento do Curso de Comunicação da UFPB.

Na Rádio Tabajara iniciei como radioescuta, operando um gravador Grundig, acoplado à caixa de madeira e enormes rolos de fitas magnéticas. Era a minha tarefa: gravar O Globo no Ar, noticiário de hora em hora da
Rádio Globo do Rio, transcrever em máquina de datilografia e passar em papel para o locutor do horário.

Tive a honra de trabalhar ao lado de grandes mestres do rádio: Paulo Rosendo, Antônio Assunção, Assis Mangueira, Ivan Bezerra, Ernani Hardman Norat, Ivan Thomás, Jadir Camargo, Geraldo Cavalcanti, José Maria Fontenelle, Livardo Alves, Gilvan de Brito, Carlos Antônio, Ana Paula, Zélia Gonzaga, Eudes Toscano, Marciano Soares, Spencer Hartman, Paschoal Carrilho, Hitler Cantalice, Hermes Taurino, Carlos Aranha, Tico Pinto, Clodoaldo de Oliveira, Jonildo Cavalcanti etc. etc.

É natural este duplo sentimento de gerações passadas causado pelo advento da Rádio Parahyba. Sobretudo o de tristeza. Afinal, a nova emissora surge sepultando a mais tradicional emissora de rádio da Paraíba em AM (Amplitude Modulatione). Morre uma emissora, enterra-se uma história. E não há culpados por isso, a não ser os novos tempos e o avanço da tecnologia.

O começo do fim

A tradicional Rádio Tabajara da Paraíba já vinha morrendo aos poucos. Começou a falecer quando foi tirada do seu histórico prédio da esquina da Rodrigues de Aquino com a Almeida Barreto, onde comecei ao lado das feras já mencionadas e foram realizados memoráveis programas de auditório com os mais renomados nomes da música popular brasileira. O segundo golpe foi a derrubada do prédio, um dos maiores crimes contra o patrimônio histórico da Paraíba, semelhante ao que foi feito com o histórico prédio do jornal A União, onde hoje funciona a Assembleia Legislativa; depois, a mudança de prefixo subtraindo o tradicional PRI-4.

Petrônio

Finalizamos com o merecido registro de que o mérito pela implantação da Rádio Tabajara FM, há vinte anos é, sobretudo, do jornalista Petrônio Souto, então diretor da Tabajara AM, e que muito se empenhou pela criação da FM.

P.S: O que será que vem no lugar do jornal A União?..

 

Wellington Farias

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