Por Eliabe Castor
 
 

Direto ao ponto. O radialista e apresentador de TV, Nilvan Ferreira (MDB) foi muito bem nas eleições municipais de 2020. Sem a menor experiência no campo político, arrastou uma legião de admiradores para o seu discurso. Era o novo. Um homem “massificado” por suas posturas políticas muitas vezes controversas, mas que agradavam – e ainda agradam – o que boa parte do povo quer ouvir. Quem desprezar sua força política é ingênuo.

Nilvan chegou muito próximo a ser eleito prefeito de João Pessoa. Foi sucumbido por Cícero Lucena (PP), um adversário que já foi prefeito da capital por duas vezes e senador da República. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, esteve à frente da Secretaria de Políticas Regionais, órgão que tinha atuação semelhante ao Ministério da Integração Nacional. O progressista ganhou, mas o emedebista mostrou sua força naquele momento.

Mas essa boa atuação no cenário da política paraibana começa a ruir. É fato: após o falecimento do ex-senador e ex-governador do Estado, José Maranhão, que sempre esteve à frente dos ditames emedebistas, Nilvan perdeu espaço significativo na sigla e um embate de forças surgiu com o senador Veneziano Vital do Rêgo, presidente da legenda na Paraíba.

Vital do Rêgo é aliado do governador João Azevêdo (Cidadania), do prefeito Cícero Lucena e tem amplas divergências às políticas públicas – em especial às relacionadas com a Saúde – vindas do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). Já Nilvan Ferreira é o oposto do senador, e adota um discurso próximo à extrema-direita, cujas falas se assemelham às proferidas pelo mandatário do Brasil.

Para azedar ainda mais a permanência do comunicador na agremiação política a qual faz parte, esteve ele recentemente em reunião com o deputado estadual Walber Virgolino (Patriotas) – um negacionista de carteirinha, aliado de Bolsonaro e crítico feroz de João e Cícero – algo que não foi bem entendido pela cúpula nacional, estadual e municipal do MDB.

Em resumo, Nilvan Ferreira deve ser convidado a sair do MDB. Seu futuro político, que passaria por uma disputa a um cargo eletivo de deputado federal, estadual, senador ou até mesmo o governo do Estado em 2022 fica ameaçado, posto que teria ele bem mais chances em disputar tais pretensões com um apoio mais que considerável de uma sigla partidária forte em todos os aspectos.

Presumo que Nilvan vem calculando mal os seus passos. Aos poucos o povo vem entendendo que aventuras políticas são perigosas. E certamente nas próximas eleições tal fenômeno não dever ser repetido com tal vigor como ocorreu em 2018.

 

 
 

Por Eliabe Castor

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