Por pbagora.com.br

Existe um antigo provérbio atribuído aos Sioux, indígenas que vivem em reservas nos estados de Dakota do Norte e Dakota do Sul, nos Estados Unidos. Diz o adágio: “Que meus inimigos sejam fortes e bravos para que eu não sinta remorsos ao derrotá-los”. Bem, é possível que o vereador licenciado e candidato a prefeito, João Almeida (SD) venha buscando essa bravura no deputado estadual Walber Virgolino (Patriotas), que também é postulante ao Executivo Municipal.

Praticamente, todos os dias João Almeida lança uma flecha no peito de Virgolino, que se vangloria por ter seu sobrenome igual ao de Lampião, o Rei do Cangaço, havendo no vasto currículo do cangaceiro extrema bravura. É possível que Almeida esteja a buscar no seu adversário grande coragem para não sentir, vencendo ele a “guerra”, remorsos.

A última investida de João Almeida contra Virgolino foi solicitar ao Tribunal de Contas do Estado, no último dia 28, um pedido de informações sobre todo o uso da verba indenizatória do adversário, no período de março até setembro deste ano. E o candidato do Solidariedade não para por aí.

Almeida diz que Virgolino teria praticado a suposta “rachadinha”. Esse ato, inclusive, que supostamente o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) praticou enquanto era deputado estadual no Rio de Janeiro. Por sinal, o Ministério Público daquele estado fluminense encerrou as investigações em desfavor do parlamentar exatamente no último dia 28.

Na peça, recai contra o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu ex-assessor, Fabrício Queiroz, crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. É claro que o caso de Flávio Bolsonaro passa distante de Walber Virgolino, havendo, contudo, uma coincidência: o deputado estadual é ardoroso defensor do inquilino do Palácio do Planalto.

E no mar da história posto ao público por João Almeida estão supostos gastos de verbas indenizatórias da Assembleia Legislativa da Paraíba para comprar bebidas alcoólicas, enquanto a Assembleia estava (e continua) fechada devido à pandemia da covid-19. É bom lembrar que Virgolino, em áudio vazado e atribuído a ele no último mês de maio, mostrava insatisfação com a Mesa Diretora da Casa de Epitácio Pessoa pelo corte de gastos.

Caso da verba indenizatória e suposto áudio vazado

Na época, o caso teve grande repercussão negativa na mídia e nas redes sociais. Supostamente o parlamentar revelava uma postura contrária em relação à redução da Verba Indenizatória de Apoio Parlamentar (VIAP) aprovada pela Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). Walber Virgolino diz em um dos trechos que a redução teria lhe prejudicado, uma vez que ele não poderia “gastar com tranquilidade”.

A verba de gabinete à disposição dos parlamentares havia sido reajustada para R$ 40 mil em setembro do ano passado, passando a ser paga a partir de fevereiro deste ano e com o corte, voltou a ser de R$ 25 mil mensais.

A redução, proposta pelo presidente da Casa, Adriano Galdino (PSB), e aprovada por ampla maioria dos parlamentares, teve como objetivo que, no período de suspensão das atividades na sede da ALPB em decorrência da pandemia do Coronavírus, houvesse redução de custos.

O propósito foi a criação do Programa de Apoio do Poder Legislativo ao Enfrentamento do Coronavírus na Paraíba, destinando R$ 2 milhões em recursos da Casa de Epitácio Pessoa para o combate à Covid-19 no Estado.

No suposto áudio dizia Virgolino em um trecho: “Pra mim foi uma merda isso aí. Quebrou minhas pernas. Tirou de um canto que eu podia gastar e botou em outro, que eu não posso gastar com a tranquilidade que eu gastava no outro”.

À época o deputado se defendeu, atribuindo as denúncias a pessoas ligadas à Operação Calvário e colocou a culpa nas fake news. “O áudio está fora de contexto, deturpado, cortado. Eu não vou mais me alongar nesse assunto que é sem pé e nem cabeça” justificou.

Bem, como os Sioux, João Almeida continuará atacando Virgolino e aguardando gestos de coragem do parlamentar? Ou o caso vai esfriar à medida que o processo eleitoral tenda a chegar à reta final? Só o tempo dirá!

Eliabe Castor
PB Agora

Por Eliabe Castor

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