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Opinião: a possível ida de Bolsonaro para o PP causará “efeitos” no cenário político da PB

Foto: Marcos Corrêa/PR

A possibilidade do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido) regressar ao Progressistas (PP), sigla que esteve filiado entre 2005 e 2016, na época que era deputado federal, começou a agitar o meio político da Paraíba.

E caso confirmado, sem dúvida alguma haverá uma modificação significativa no xadrez político paraibano. É público o ranço envolvendo o mandatário do país e o governador da Paraíba, João Azevêdo (Cidadania).

Farpas severas já foram trocadas envolvendo os dois gestores, principalmente foi – e é – a pandemia uma das principais divergências dos políticos. Ambos têm uma visão completamente oposta relativa ao combate à Covid-19.

Bolsonaro, um negacionista categórico, Azevêdo, aquele que faz valer a ciência para debelar um vírus que já ceifou a vida de 449 mil brasileiros. Expostos tais fatos, uma série de dúvidas pairam no ar como a “leveza” de uma placa de chumbo.

A primeira delas: retornando o inquilino do Palácio do Planalto ao Progressistas, qual será o posicionamento do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, que integra tal sigla? O chefe do Executivo pessoense tem bom relacionamento com João Azevêdo, e já afirmou que apoiará o governador nas eleições de 2022 numa possível tentativa de reeleição.

Lucena ficará a vontade no PP? Ou migrará para o Cidadania? Vale lembrar que Azevêdo deixou claro que as portas da agremiação partidária ao qual faz parte estão abertas para o prefeito da capital.

Os Ribeiro

Mais uma incógnita. Os irmãos Agnaldo e Daniella Ribeiro, ele deputado federal e líder da maioria no Congresso, ela senadora. Ambos com visões distintas sobre a política paraibana e nacional.

Aqui mais umas pitadas de pimenta. Os Ribeiro têm o completo controle do PP na Paraíba. Daniella já demonstrou o desejo de ser candidata ao governo do estado e, pelo visto, anda de mãos dadas com a família Bolsonaro. Prova disso foi seu encontro com a primeira dama do país, Michelle Bolsonaro na quarta-feira (19).

Elogios trocados por ambas, o certo é que Daniella Ribeiro convidou a primeira dama para visitar a Paraíba, o que foi aceita pela esposa de Jair Bolsonaro. Sua vinda ao estado terá um caráter social, mas também político.

Michelle Bolsonaro virá à Paraíba a fim de discutir políticas públicas inclusivas para os deficientes auditivos. Talvez um pouco mais, o que é quase certo. Só o aceno de Daniella Ribeiro já é um desconforto para Agnaldo Ribeiro.

Sim, pois Agnaldo tem divergências com o presidente da República e mantém boa relação com João Azevêdo, estando cotado para integrar a chapa majoritária do governador paraibano, havendo a possibilidade de disputar uma vaga para o Senado.

E sigo as perguntas e conjecturas. Daniella Ribeiro, confirmando seu nome à disputa do governo da Paraíba, tendo o apoio dos Bolsonaro na peleja, traria ainda mais desconsolo ao irmão. Dois golpes no estômago é algo que dói bastante, ao ponto da boa relação com a irmã esfriar e, quem sabe, Agnaldo buscar outro partido para chamar de seu.

Romero Rodrigues

Certamente a aproximação de Daniella e Michelle Bolsonaro já preocupa o ex-prefeito de Campina Grande, Romero Rodrigues (PSD). Fiel às ideias de Jair Bolsonaro, que declarou apoio à postulação do ex-gestor ao governo da Paraíba, pode mudar. No PP, o presidente poderá assumir uma postura neutra.

A situação poderia respingar até na gestão do prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, que faz parte do grupo político de Romero Rodrigues, ou seja; o clã Cunha Lima. Como poderia acontecer tal fenômeno? Simples: o vice-prefeito da cidade serrana tem nome e sobrenome. Lucas Ribeiro, filho de Daniella e líder do PP campinense.

Como o leitor pode observar, a possível ida de Bolsonaro para o Progressistas, que já recebeu a chancela do presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PP-PI), ocasionará fortes tensões no xadrez político paraibano. Agora é aguardar, pois na política tudo pode acontecer, menos o “nada”.

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