Por Eliabe Castor

A qualquer momento em que ligamos a televisão e rádio, ou acessamos a internet para nos informarmos, podemos acompanhar ações da guerra e paz em meio à pandemia do novo coronavírus. Boas e más perspectivas sobre a enfermidade que colocou países pobres e ricos em um só loteamento chamado “vida, morte e esperança”.

Declarações de médicos, cientistas, chefes de Estado e organizações internacionais ligadas à saúde são amplamente divulgadas a fim de minorar os efeitos nefastos causados pelo Covid-19. É consenso para a ampla maioria: o isolamento social é vital para não se repetir tragédias vistas na Itália e Espanha.

E no meio de todo o caos atual eis que ressurgiu uma velha conhecida do mundo antigo e “recauchutada” nos tempos moderno. Trata-se da chamada contra-informação. Expediente, esse, utilizado à exaustão no período da Guerra Fria envolvendo a falecida União Soviética e os Estados Unidos.

Trata-se de uma ação ou estratégia para impedir o “inimigo” ou entidade obter acesso a informação verdadeira, nomeadamente com divulgação de informações falsas. Esse expediente, bastante utilizado nos círculos militares, vem sendo adotado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro.

Trata-se de uma disciplina amplamente importante, por isso estudada com esmero, por exemplo, pelos que passaram na Escola Superior de Guerra (ESG). É sabido que generais, brigadeiros e almirantes formam boa parte do alto escalão daquele que ocupa, hoje, o Palácio do Planalto. E é lógico que a contra-informação de “qualidade” está ao seu dispor.

Observando Bolsonaro, a princípio parece ser alguém fora da realidade. Um ser com sérios distúrbios mentais e de personalidade. E sim, há distúrbios na sua mente raivosa, mas não a ponto de invalidar suas ações, afinal ele está bem assessorado no quesito “confundir”.

O ex-capitão do Exército açoita a imprensa, desdenha das recomendações da Organização Mundial de Saúde e põe o núcleo civil do seu próprio governo no paredão da desconfiança, exceto os liberais que observam o ser humano enquanto estatística. Mero número no colossal carrossel dos grandes empresários.

Um desses civis que segue Bolsonaro atende pelo nome de Paulo Guedes, que hoje ocupa a pasta da Economia. Do outro lado da moeda, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Um rebelde cujos dias estão contados na atual gestão federal.

E assim caminha o “mito” utilizando a contra-informação para confundir a população, classificando a pandemia do novo coronavírus como uma “gripezinha”, pondo os 30 por cento da população brasileira que o aprova em rota de colisão com os que desaprovam o atual governo, cujo tom é claramente pautado em sonoras notas vindas da extrema-direita.

Bolsonaro sabe que precisa confundir. Polarizar as discussões políticas, agredir aqueles que ele considera “inimigos do Estado”. E aí reside a explicação das suas declarações para muitos inconsequentes; mas com um olhar apurado sobre elas pode ser verificado que suas palavras são “fabricadas” para chocar seus adversários e tirar lucro político em situações como a que hoje o mundo vive.

O presidente busca na tática da “terra arrasada” uma “guerrilha rebelde” para culpá-la por toda e qualquer mazela que venha comprometer o país; seja na economia, saúde, educação ou qualquer outra segmentação. Em verdade Bolsonaro adora os “panelaços” contra sua pessoa e seu governo.

Ele sorri quando muitos pregam seu impeachment. A verdade para Jair Bolsonaro é o quanto pior, melhor, pois isso legitima sua estada no poder. Astuto, observa as movimentações das imaginárias “linhas inimigas” e põe minas terrestres para, em eventual distúrbio social interno legitimar um golpe de estado.

De palhaço chamado Bozo o presidente Bolsonaro está bem longe de sê-lo. Faz-se importante a população entender seu jogo. E para aqueles capazes de se jogar em um penhasco para salvar o “mito”, é bom lembrar que todos, sem exceção…ops! – os de grande posse financeira não figuram aqui – são meros números. Dígitos descartáveis. E o resto? Bem, o resto é lucro para ele. Déspota absolutista, o chefe do Executivo nacional quer (apenas) se manter no poder.

Coronavírus? Uma “gripezinha” com nome de cerveja importada. Assim desdenha o mandatário brasileiro do seu próprio país e do mundo, seguindo a lógica perversa da contra-informação.

 

PB Agora
Eliabe Castor

Por Eliabe Castor

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