“1968: o Ano Que não Terminou” é um livro do escritor e jornalista brasileiro Zuenir Ventura. A obra retrata os fatos que marcaram o conturbado ano no Brasil e no mundo.

Cinquenta e um anos depois, 1968 não para de ser evocado, porque foi realmente especial — há nele doses consideráveis do charme permanente da cultura pop (Beatles, Rolling Stones, Caetano&Gil&Chico), há o terror do período mais duro da ditadura militar no Brasil, com a promulgação do AI-5, há o mundo mergulhado nos horrores da Guerra do Vietnã.

Também pode ser evocado o assassinato de Martin Luther King e de Bob Kennedy, além de uma sucessão espetacular de movimentos de jovens — quase sempre — que foram às ruas, para morrer se preciso fosse, contra o poder, qualquer poder, de direita ou de esquerda.

E guardando todas as proporções que se possam imaginadas, 2019 também pode ser chamado o “Ano Que não Terminou” para o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e o chamado “Coletivo Girassol”, um grupo político que deu aporte ao governo socialista na Paraíba ao longo de oito anos.

É bem certo, aliás, é certo: Ricardo Coutinho foi um dos maiores gestores da Paraíba. Recebeu a máquina do Estado dilacerada pelos governos anteriores dos ex-governadores José Maranhão (MDB) e Cássio Cunha Lima (PSDB).

Coutinho soube articular uma parceria com o governo federal petista, estando à frente os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff que, embora tenham optado em investir de forma contundente no vizinho estado de Pernambuco, não deixou o socialista paraibano de “pires na mão”.

E como grande administrador, saneou parte do déficit público, pondo a Paraíba em situação “invejável” nos estados da região Nordeste, justamente por sua solidez fiscal, proporcionando obras vultosas, como a incrível malha asfáltica interligando toda a Paraíba; edificando hospitais regionais e uma gama de obras que mudou o cenário paraibano dentro e fora do estado. Essa é a arte bela das suas ações.

2019: “ O Ano Que não Terminou para RC e o “Coletivo Girassol”

Como um grande tsunami, que traga vidas e toda uma infraestrutura, quer seja em um pequeno vilarejo ou numa grande metrópole, a onda gigantesca de nome Operação Calvário, desenvolvida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba, devastou o grupo político capitaneado por Ricardo Coutinho.

O ex-governador, alguns dos seus ex-secretários, políticos e empresários são apontados como executores de práticas ilícitas em desfavor ao erário público e da própria população paraibana. Pesa contra Coutinho a acusação de ser ele o suposto chefe de uma organização criminosa que “levou” dos cofres públicos, em formato de pagamento de propina, o quantitativo de R$ 134,2 milhões.

E aí Ricardo Coutinho e seu “Coletivo Girassol” entraram numa espécie de purgatório, aguardando o julgamento do Juízo Final a fim de saber se haverá a absolvição de todos ou parte dos supostos envolvidos, podendo entrar em desgraça profunda os citados, caso sejam condenados pela Justiça.

Contudo, absolvido ou não, o ano de 2019 jamais terminará para o ex-gestor e os citados na Calvário, pois suas imagens já foram maculadas, o “espólio” político pilhado por muitos que eram, em outras épocas, seus aliados.

Ainda há o agravante do travesseiro. Sim, aquele que, todas as noites visita cada ser humano de forma invariável e, como os antigos egípcios, é posto numa balança uma pena de um lado, o coração do julgado do outro.

E, caso o coração pese mais que a pena, o “pecador” será amarrado e jogado no rio Nilo a fim de ser devorado pelos crocodilos. Mas no caso da Calvário os répteis são apenas metáforas. Residem na consciência de cada um. Ela sempre estará presente no cérebro dos culpados ou inocentes.

Eliabe Castor
PB Agora

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