Conta a lenda, que o senador Cícero Lucena (presidente do diretório estadual do PSDB) acordou assustado, porque teria tido um pesadelo noturno. Ele teria sonhado com uma cena histórica digna da mais alta demonstração de traição política, totalmente fratricida: Brutus (o filho querido, adotivo) apunhalando Júlio César (o pai, senador romano) pelas costas.
Ao despertar, o senador tucano teria perguntado à esposa dele, a ex-vice-governadora Lauremília Lucena (também peessedebista), a possível interpretação desse tipo de sonho. A resposta dela: – Também sonhei com algo parecido, ao mesmo modo ensejando traição.
Corpo fechado
Homem extremamente católico e temente aos desígnios de Deus, peregrino sagrado e cavaleiro-mor no “Caminho de Santiago”, em Compostela (Espanha), Cícero aconselharia Lauremília a procurar fazer uma reza forte, para blindar o ilustre casal diante de tamanha ignomínia. Tentar algo para “fechar o corpo”, como se diz no linguajar dos terreiros de candomblé.
Pelo sim, pelo não – mesmo não acreditando em bruxarias, feitiços, más querências, catimbó, despacho de macumba e coisas afins – Lauremília teria resolvido procurar a igreja mais próxima da residência dela, no bairro do Bessa, para fazer orações e dirigir preces ao Divino Espírito Santo.
Lauremília na igreja
Chegando lá, no templo religioso, ela teria se encontrado com uma mulher desconhecida, gente do povo, que foi logo lhe abordando para dizer, embora não tenha sido sequer perguntada sobre tal assunto: – Dona Lauremília, eu gosto muito da senhora e do seu marido “Seu Ciço”, mas tive um sonho terrível em que uma cobra (símbolo pecaminoso de traição, tanto na Bíblia, para os cristãos, quanto no mundo profano), ameaçava abocanhar vocês dois, de uma só vez.
Diante de tantas coincidências ao mesmo tempo, a ex-primeira-dama de João Pessoa entre os anos de 1997 e 2004, teria chorado, praticamente certa do significado político de tudo isso junto. É que no sonho daquela senhora desconhecida tinha um detalhe importante.
Segunda-feira agourenta
Diferentemente da Besta do Apocalipse, traduzida pelos crentes esotéricos em previsões caóticas do futuro, profecias catastróficas de Nostradamus, etc., através do número cabalístico 666, a cobra do sonho trazia uma data de mau agouro: 14/12/2009.
Ou seja, esta segunda-feira vindoura, quando os Democratas se reúnem no Tropical Hotel Tambaú para decidirem em qual pré-candidato a governador vão votar, nas eleições do próximo ano.
Morrendo de véspera
É como está escrito no romance “Crônica de Uma Morte Anunciada” (do colombiano Gabriel Garcia Marquéz), logo na primeira página do livro, que trata do seguinte enredo: acusado por Ângela Vicário de tê-la desonrado, o jovem Santiago Nasar é morto a facadas pelos irmãos dela, os gêmeos Pedro e Pablo.
“No dia em que iam matá-lo, Santiago Nasar levantou-se às 05h30min da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo. Tinha sonhado que atravessava uma mata de figueiras-bravas, onde caía uma chuva miúda e branda, e por instantes foi feliz no sono, mas ao acordar sentiu-se todo borrado de caca de pássaros”.
NR – Seria esta uma clara alusão onírica aos emplumados tucanos paraibanos? Ou mera coincidência com a reunião dos Democratas, num local pertinho da praia, onde voam os pombos que enchem de caca a orla e a calçadinha de Tambaú, bem no meio da rua onde passeiam os caminhantes do cooper?
Domínio público
“(…) Apenas em uma banca (mesa de bar), 25 pessoas declararam que ouviram os gêmeos afirmar que matariam Santiago. No mercado, onde por duas vezes os irmãos Vicário foram afiar suas facas, também revelaram sua intenção. Vários carniceiros (marchantes, açougueiros) apenas pensaram que seria coisa de bêbados. Um deles chegou a avisar um policial, que não tomou, aparentemente, qualquer atitude. Como em um rastilho de pólvora, todos já sabiam o que iria acontecer”.
Pobre senador Cícero “Nasar”…
Anemia política
Se finalmente os Democratas se decidirem por alguém – mesmo que seja em prol da pré-candidatura do prefeito socialista da Capital, Ricardo Coutinho – pelo menos restará o consolo para Cícero de obter uma afirmativa sincera da parte de um determinado grupo político, de um partido – por enquanto – até agora supostamente aliado.
Explico: é que se demorar muito essa indefinição de siglas ou legendas aproximadas a Cícero Lucena, parecendo uma interminável eternidade, é bem provável que persistindo o impasse até março ou abril do próximo ano, só restarão dois defuntos políticos agarrados um no outro – o próprio Cícero e o ex-governador cassado Cássio Cunha Lima (ambos do PSDB) – mortos juntos por anemia de votos.
Sangramento eleitoral
Nesse ponto, tem absoluta razão o ex-deputado estadual Constituinte de 1989, ex-presidente da Assembleia Legislativa e atual secretário-geral do ninho tucano na Paraíba, João Fernandes da Silva.
Ou a Executiva Nacional do Partido da Social Democracia Brasileira intervém na Paraíba buscando dar um freio de arrumação nessa história toda, enquadrando os filiados rebeldes para evitar uma sangria desatada, ou o fim previsível desse moído a gente já sabe.
A eleição para governador será uma disputa solitária, apenas entre dois superconcorrentes: Ricardo Coutinho (PSB) versus José Maranhão (PMDB). Sem Democratas e nem PSDB para atrapalhar a briga particular entre eles dois.
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