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O recuo do recuo: um gesto indecente

Um clima de comoção tomou conta da Universidade Estadual da Paraíba nesta segunda-feira (08). Mais uma vez, o Governo Maranhão III mostrou suas garras contra uma instituição que já sofreu muito nas mãos de um governante que, despudoradamente, assaca contra a história de um patrimônio do povo da Paraíba. No frigir dos ovos, sou forçado a admitir: é sempre arriscado se esperar um gesto decente, como cheguei a registrar em coluna na semana passada, de uma gestão que não tem legitimidade nas urnas e evidencia uma falta de compromisso com o ensino superior.

A entrevista concedida pelo secretário de Planejamento e Gestão do Estado, Ademir Alves de Melo, à emissoras de rádio nesta segunda-feira (8) foi, no mínimo, escandalosa e decepcionante. Ademir simplesmente disse que não valeu de nada o telefonema do governador para a reitora Marlene Alves, tranquilizando-a a respeito dos cortes previstos no decreto assinado e publicado no dia 31 do mês passado, com uma redução drástica de R$ 16 milhões no orçamento da instituição.

Governo desencontrado e sem rumo é assim. O secretário de Planejamento vai a público, candidamente, e diz que a palavra do governador de nada vale, pois ele (o secretário) é quem sabe da política administrativa do Estado.

Estamos vivendo um momento crítico na Paraíba. A palavra de um governador de Estado de nada vale, pois um secretário é capaz de desancar sua imagem publicamente através de uma entrevista, mostrando que a autoridade política que Maranhão imagina ter não tem qualquer efeito em relação às decisões técnicas da equipe econômica. Fica difícil, pois, imaginar que essa desmoralização institucionalizada não descambe para o desgoverno e descontrole da máquina administrativa.

Autonomia rifada

Caindo como uma bomba no seio da Universidade, a declaração de Ademir Alves não deixa dúvidas: a autonomia da UEPB está rifada no Maranhão III.

Humilhação

Ao dizer que, caso precise de recursos, a Universidade que formalize pedido ao governo de dinheiro que, por lei, a instituição tem direito, o Maranhão III impõe uma humilhação e um desrespeito ao princípio da autonomia conquistada há praticamente cinco anos. Volta à antiga situação em que o reitor – no caso atual, a reitora – terá de se submeter a ficar com um pires na mão, em uma antessala de audiência, para receber o que legalmente estaria garantido no orçamento da universidade.

Crise institucional

Esse recuo do recuo do Governo Maranhão III abre brecha para uma grave crise institucional. Os conselhos superiores da UEPB (Consuni e Consepe) já tomaram uma decisão: a Universidade vai pleitear o respeito à autonomia. Em caso contrário, vai recorrer à justiça para que a conquista não seja atropelada por uma decisão de governo.


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