Outro dia assisti a um filme francês em que um crítico de arte metido a besta tentava interpretar um quadro inteiramente preto. O protagonista do filme, que não ia com a cara do sujeito, provocava o crítico com comentários depreciativos da obra que observavam. O diálogo era mais ou menos assim:

    – O que o artista pensou ao pintar esse quadro todo preto? – provocava o protagonista.

    – Você tem que enxergar que isso não é preto, é o não-branco – tentava ensinar o crítico, com ar superior.

    Ficou bem esquisita a explicação do carinha metido a cult, o que só fez reforçar a impressão de que muitos desses entendidos de arte na verdade não entendem de nada.

    Não-branco? Como assim? Ora, preto é preto, branco é branco.

    Em política é que as cores se misturam, laranja vira vermelho, amarelo vira laranja, laranja vira verde e nada é preto no branco. Mas, mesmo em política, não dá pra engolir explicações parecidas com a do tal crítico de arte, como tentou fazer o secretário de Esportes da Prefeitura Municipal e membro do Diretório Estadual do PSB, Alexandre Urquiza, ao evitar admitir uma crise com o PMDB. “O que existe é uma não-conversa”, disse ele ao site Click, dias atrás.

    Não-conversa? Como assim? Não-conversa seria apenas um silêncio momentâneo, uma indisposição para o diálogo, “um tempo” que Ricardo dá a Maranhão até a poeira baixar ou seria mesmo ruptura total?

    Vou dar aqui minha visão nada cult do que seja uma não-conversa entre Ricardo e Maranhão: trata-se da corda esticada, do limite ultrapassado, da paciência que se esgotou, da quebra de compromissos, do fim da linha, do “dane-se você também, ora bolas”.

    “Não-conversa” é não-alinhamento, não-convivência, não-apoio, não-tem-mais-conversa-e-ponto-final.

    O resto é não-conversa pra boi não domir… na linha.

 

    Pegadas

    Ninguém sabe ao certo se as novas pegadas encontradas no sertão são mesmo de dinossauros. Tenho um palpite: não seriam as pegadas da Caravana da Reconstrução?

 

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