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O perigo de ganhar no voto, mas perder do discurso

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Por muitos e muitos anos, o senador Cícero Lucena, então prefeito de João Pessoa, contabilizou vitórias na Câmara Municipal da Capital. Administrando sempre com maioria, Cícero arrasava nas votações. Era como o Santos no tempo de Pelé: ganhava todas.

Eis onde mora o perigo. Nem todas as vezes vencer no voto é melhor do que vencer no debate. Em alguns casos, perde-se muito mais quando se consegue aprovar um projeto de qualquer jeito do que a própria oposição, esmagada pela matemática impediosa da maioria.

Foi assim que Cícero, ganhando no voto, mas perdendo no debate, deixou, de certa forma, que Ricardo Coutinho se transformasse, por muitos anos, em sinônimo de oposição na Capital.

Por isso, essa briga desenfreada pela maioria nas casas legislativas. Raramente, pelo aval dos cidadãos.

 

Hoje, a cena se repete. Desta vez, ironicamente, com Ricardo no poder. O prefeito do girassol tem se mostrado imbatível nas votações da Câmara. Aprova tudo o que quer e, especialmente, na hora que quer, como foi o caso do projeto de lei concedendo reajuste salarial para os professores em 10%, quando a categoria reivindicava há meses cerca de 20%.

A matéria chegou em caráter de regime de urgência urgentíssima. Ora, se era urgência por que não foi enviada antes? E o pior a prefeitura estava gerenciando há meses a reivindicação da categoria. Exagero ou não, sabia o que ela exigia, mas fez ouvido de mercador e enviou a matéria sem acordar com os professores.
Ganhou no voto, numa discussão primária patrocinada por vereadores da situação, despreparados até o talo, como se viu em intervenções como Jorge Camilo, Sérgio da SAC e Sandra Marrocos. Cada um falando mais besteira do que o outro.

Mas perdeu no discurso, já que horas depois, reunidos em assembléia, os mesmos professores, “beneficiados com o reajuste”, deflagraram greve em protesto à aprovação da matéria.

Para ressaltar o esforço do prefeito, os aliados alegaram que a crise econômica tem abalado as receitas dos municípios. Tese essa desmontada pelo fato de que a arrecadação caiu, mas os recursos do Fundeb para João Pessoa, simplesmente, aumentaram.

Na aparência, Ricardo pode ter comemorado a aprovação do projeto do reajuste na Câmara. Vereadores da situação devem até ter saído da sessão com a sensação de dever cumprido.

Mas, no íntimo, Ricardo sabe que perdeu. Ou, como se diz lá em Campina Grande, ganhou, mas não levou.
 

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