O ex-governador Cássio Cunha Lima tem fãs em todo canto. Mas o número 1 parece ser o atual governador José Maranhão. Tão fã, mas tão fã, que tudo o que Cássio deixou encaminhado ele não apenas deu continuidade, como tomou como suas as principais obras.
Quando à continuidade das obras, devo dizer que é muito elegante da parte do atual governador finalmente reconhecer e elogiar as obras de um governo anterior adversário, embora não lhe dê o crédito. Coisa rara nos dias de hoje. Geralmente os governantes esquecem o que foi feito ou iniciado no passado e preferem começar do zero, tudo com nova assinatura.
Maranhão, não. Ele não desprezou nada deixado por Cássio. Sua grande falha é passar um corretivo por cima da assinatura do ex e colocar a sua. Diz com tanta convicção, em suas propagandas na televisão, que a obra é sua que muitos acreditam.
Por exemplo, o Centro de Convenções de João Pessoa. Obra tão alardeada por Cássio, agora é Maranhão que colhe os louros. Como se dissesse: “Cássio prometeu, mas eu é que faço”. O erro de Cássio foi demorar demais no projeto. Dançou. A sabedoria de Maranhão está em fazer parecer que ele, agora, é quem dará à Capital o que Cássio em tese teria negligenciado.
Vamos aos fatos: no final do ano passado, o Tribunal de Contas da União constatou um sobrepreço no projeto do Centro de Convenções. Por isso, Cássio disse que só iria começar a obra após tudo sanado junto ao TCU. E foi o que ocorreu. Tudo foi devidamente esclarecido e a documentação, regularizada. No início de março, o TCU liberou a obra. E Maranhão, sempre bem assessorado, aproveitou a deixa pra colocar seu carimbo como o “salvador do Centro de Convenções”.
Mas, como eu já disse antes, a sua equipe de comunicação e marketing é das mais competentes. Sorte a dele.
Já em relação à ex-adutora Abiaí, o que houve foi apenas uma mudança de nome para Translitorânea – nome mais pomposo e, vamos reconhecer, mais bonito. Ponto pro marketing, de novo.
E a duplicação da BR-230? Quem vê Maranhão na TV jura que ele é o pai da criança. Mas não é bem assim. Ele teve participação, sim, claro. Por exemplo, ele fez, em parceria com o governo federal, os trechos JP-Café do Vento e CG-Entrada de Ingá. Parou por aí.
Cássio, depois de muita luta junto ao TCU, já que havia suspeita de superfaturamento, conseguiu retomar a obra e concluiu o trecho Café do vento-Ingá. Antes de inaugurá-la, já que a festa dependia da agenda do Presidente Lula, Cássio foi cassado. E, mais uma vez, Maranhão ficou com os louros. Como se tudo, tudinho, tivesse sido conseguido por ele.
A primeira clonagem de obras foi em relação ao Banco de Olhos. Maranhão o inaugurou logo após abocanhar o governo no tapetão. Ora, um Banco de Olhos leva meses para ser concluído – da concepção do projeto à execução. Não deu tempo de Cássio inaugurá-lo. E Maranhão foi logo dizendo que a obra representava o seu compromisso com a saúde.
Tudo bem que seja fã de Cássio, mas assim também, tá danado…!
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