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O descrédito da imprensa na Paraíba

Começamos a semana com a repercussão de uma denúncia com ares de extrema gravidade: o Governo do Estado teria censurado um programa da TV Máster. Embora o “acompanhamento editorial” (entenda-se pressão) por parte dos poderes públicos, grandes financiadores da mídia paraibana, esteja longe de ser prática nova, ação supostamente tão explícita e enfática de plena censura, como foi divulgado inicialmente que teria ocorrido, causou reboliço na Paraíba.

Em seguida, versões foram contrapostas, e hoje leio e ouço declarações de alguns dos envolvidos no episódio da TV Máster, revelando, de própria boca, o lado oculto da história, que não teria sido como eles mesmos contaram no primeiro momento.

Juntando a versão inicial, as repercussões intermediárias e as revelações de última hora, temos, acumulados no triste episódio, um verdadeiro e deplorável exemplo do que se tornou a mídia paraibana: um meio imoral, de jogatinas e negociatas, de manipulação descarada da informação.

O paraibano não acredita naquilo que lê, ouve e escuta. E faz muito bem. A mesma informação, o mesmo fato, ganha versões diametralmente opostas nos veículos de comunicação, a depender de quem é o dono ou quem banca a empresa ou o profissional.

Descobriu-se que não é preciso censurar pela força, porque há meio mais eficiente de fazer a imprensa dizer o que se quer: compra-se. É mais simples, mais prático, menos problemático, e funciona muito melhor. Não é em vão que criamos, nestas terras, novos tipos de profissionais: o “personal jornalista”, o “personal radialista”, o “personal blogueiro”.

Para ser considerado bom personal, o sujeito não precisa escrever ou falar bem, basta apenas ter perfil de capacho, ser subserviente irrestrito, fazer de quase tudo pelo dinheiro e “fama”. Ser, portanto, uma espécie de prostituta da informação. Nisso diferenciamos, por exemplo, o digno assessor de imprensa de “personal jornalista”.

Esses tipos acabam alimentando uma maledicência que virou moda na Paraíba: todo mundo quer condenar os jornalistas, ensinar lições de isenção. Se falamos ou escrevemos algo que desagrade aos maranhistas, somos cassistas; se os cassistas não gostam, somos maranhistas. E isso embora haja, proporcionalmente, tanto eleitor canalha quanto jornalista canalha.

Falar é fácil. Principalmente sob o manto do anonimato. Difícil é ser jornalista na Paraíba (o mesmo vale para os radialistas). Expor-se em público, ousar revelar a opinião num Estado em que as paredes têm ouvidos, e onde é impossível não desagradar sempre a algum grupinho de poder.

Jornalista é gente, tem barriga, tem família, filhos a sustentar, contas a pagar. Para isso, não tem que virar calhorda, porém, todos os dias, precisa calar um pouco. E a opinião por força digerida em silêncio desce com sabor azedo, provoca diários arrotos chocos porque é indigerível. Porém, não dá para falar tudo o que se gostaria. O “personal” não tem esse problema, porque não tem opinião, já que não é pago para pensar, ter opinião própria.

A grande miséria da imprensa é a forma como é estabelecido o setor. Para os veículos onde requer-se concessão pública – rádio e TV – essas concessões vão parar nas mãos de políticos. Aí, manda quem é dono. Para aqueles que não carecem da concessão – impresso e internet – o Estado, municípios e poderes legislativos são os grandes financiadores. Aí, manda, quem tem o dinheiro.

Quando os poderes públicos atrasam os pagamentos, os mesmos veículos que só falavam bem descem o sarrafo, até quitação ou negociação da dívida. Isso é velho. Isso é mau. O pior é que a imprensa é o termômetro da democracia. Quanto mais independente, mais sólido o sistema democrático. Logo, observamos quanto anda mal das pernas a democracia no Brasil e, ainda mais, aqui na nossa Paraíba.

Sim, temos censura. Não é pela força da violência, mas pelo poder do dinheiro. Sim, temos censura. Mas não foi inventada por este Governo. A informação na Paraíba virou uma mentira. A mentira na Paraíba ganha versões de verdade. A verdade dilui-se na mentira generalizada, e ninguém sabe mais onde a verdade está.

 

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