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Nova fase: PSDB desiste de usar crises do PT como arma política em 2013

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Após ver ruir sua estratégia de utilizar o julgamento do mensalão para minar as candidaturas do PT em 2012, o PSDB está decidido a não mais se apoiar nos escândalos que envolvam o principal partido adversário para obter ganhos eleitorais.

A nova arma em potencial, já mirando 2014, seria a operação Porto Seguro, da PF (Polícia Federal), que desarticulou em novembro do ano passado uma organização criminosa que atuava infiltrada em órgãos federais e agências reguladoras para elaborar pareceres técnicos fraudulentos e favorecer interesses privados.

Após a operação, 23 pessoas foram indiciadas, entre elas servidores públicos que atuavam na Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), na ANA (Agência Nacional de Águas), na AGU (Advocacia-Geral da União) e no Gabinete da Presidência da República em São Paulo. Alguns dos envolvidos eram pessoas próximas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o tucano Edson Aparecido, que coordenou a campanha a prefeito de José Serra (PSDB) em São Paulo — e que assumiu em dezembro a Casa Civil do Estado com o desafio de garantir a reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) —, o partido não pode mais contar com os "defeitos dos outros” para ganhar votos.

— Não adianta a gente imaginar que vai ganhar a eleição em cima dos defeitos dos outros. Essa que passou [de 2012] mostrou que essa estratégia não funciona. Tivemos toda essa história do julgamento do mensalão e no final não teve o impacto que se imaginava na eleição. Isso é um dado concreto que serve de exemplo.

O esforço para colar a imagem da corrupção no PT com base no julgamento do mensalão de fato se mostrou pouco efetivo. Os petistas elegeram 78 prefeitos a mais do que na última eleição e comandarão 628 cidades a partir deste ano. Por sua vez, o PSDB sai menor das urnas em comparação com 2008. Os tucanos elegeram, no ano passado, 691 prefeitos, contra 787 quatro anos atrás.
 

Para César Gontijo, secretário-geral do PSDB em São Paulo desde 2007, a exploração do tema da corrupção não se faz necessária na eleição porque, segundo ele, a população pune a prática nas urnas.

— A política do "quanto pior, melhor", no meio partidário, não é boa para ninguém. Quando se denigrem a política e seus protagonistas, fica mal para todo mundo. Não acho que o caso da operação Porto Seguro tenha que ser usado pelo PSDB de maneira acusatória. A população tem consciência, sabedoria, ela sempre mostrou isso. É nisso que o PSDB está trabalhando. Não é ficar na picuinha de “olha o que ele fez e etc e tal”.
 

Aparecido defende que o PSDB faça um exercício de autoanálise em busca de um novo caminho neste ano.

— Mais importante do que aproveitar esse fato [operação Porto Seguro] é enfrentar um problema que talvez seja ainda mais grave para o PSDB, que é o de definir suas bandeiras. Os problemas que temos que enfrentar do ponto de vista eleitoral são muito mais nossos que dos nossos adversários. A última eleição mostrou uma fragilidade muito grande do PSDB nessa questão. Há um distanciamento das bandeiras do partido com a sociedade.

O secretário da Casa Civil, Edson Aparecido, entende que, se essas condições fossem mais claras e o partido estivesse mais estruturado, fatos como o mensalão e a operação Porto Seguro poderiam ter sido mais bem aproveitados do ponto de vista eleitoral.

— As deficiências estão muito mais no PSDB, em aproveitar essas coisas, e é isso que temos que encarar em 2013.
 

R7

 

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