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Ninho, mas de cobras

Confiança é, de certa forma, um ato espontâneo de entrega. Pode ser de um bem, de uma missão, da guarda dos filhos. Ou a presidência de um partido político, por exemplo.

Sem ela, não se entrega nada. Quanto mais a presidência do PSDB. É, portanto, exatamente a falta de confiança que vem pautando a relação
do senador Cícero Lucena e do ex-governador Cássio Cunha Lima.

Não há mais como sustenta-la, sendo assim.

Cícero não entrega a presidência porque traduz o gesto como uma renúncia indireta à disputa pelo governo do Estado. Sem a presidência, Cássio teme que seja forçado a fazer o que não quer.

Não fosse assim, não se teria concebido uma resolução nacional, longe dos holofotes da mídia, prorrogando mandato de Cícero por mais dois anos na presidência do PSDB paraibano e dando-lhe mais poderes.

Rememoremos os fatos antes de analisá-los.

Numa determinada reunião, logo depois da cassação, esse assunto foi tocado pela primeira vez. Do lado de Cícero, há quem diga que foi o ex-governador que pediu. Mas, segundo a própria fonte que alega ter ouvido a conversa, o ex-governador tucano teria usado os seguintes termos: “Cícero, aquela história da presidência do PSDB eu vou precisar agora, amigo”.

O que leva a crer que o senador realmente assegurou a Cássio o comando do PSDB na Paraíba. E essa garantia foi dada logo depois da cassação quando o mundo desabou nas costas de Cássio.

Naquele momento de consternação, o senador, sempre sensível à causa dos Cunha Lima, se sentiu estimulado a fazer o gesto.

Com o fim das férias, Cássio voltou pra trabalhar e, como está sem mandato e é a maior liderança do PSDB na Paraíba, (não fosse Cícero não brigaria pelo seu apoio), espera assumir a presidência que lhe foi prometida.

E, de cara, não há razão alguma para Cícero não entrega-la. Não se o senador ainda considera Cássio como amigo de longas datas. Se não o considera mais como amigo, então não pode cobrar apoio de Cássio baseado na amizade.

O fato é que, ao negar a presidência para Cássio, será a Cícero que caberá o primeiro gesto interno no grupo de desconfiança para com o ex-governador. E isso credencia o tucano a deixar a legenda com postura de vítima. E não de vilão.

Aos poucos, sem a confiança necessária que consolida as relações, o PSDB vai se transformando num partido com dois exércitos definidos.

Onde a confiança é palavra escassa, bem comum nos ninhos, mas de cobras…
 


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