Há nomes que, em determinados momentos, parecem ocupar um espaço menor no noticiário político do que aquele que efetivamente representam no tabuleiro eleitoral. Pollyanna Werton é um desses casos.
Candidata a deputada federal pelo Progressistas, ela chega à eleição de 2026 com uma trajetória que passa pela Prefeitura de Pombal, pela Assembleia Legislativa e pela Secretaria de Desenvolvimento Humano do Estado. Não se trata, portanto, de uma candidatura construída apenas para esta eleição.
Há, inclusive, um dado recente que ajuda a dimensionar sua capacidade eleitoral.
Em 2022, quando disputou uma vaga no Senado, Pollyanna ficou em segundo lugar na Paraíba, com 457.679 votos, equivalentes a 22,84% dos votos válidos. Efraim Filho foi eleito com 617.477 votos.
Aquele resultado não significou uma cadeira no Senado — havia apenas uma vaga em disputa —, mas colocou Pollyanna em uma posição relevante entre os nomes daquela eleição, porque mesmo chegando ao páreo nos 45 do segundo tempo contra um candidato que já estava há um ano em pré-campanha, ela conseguiu imprimir sua marca. Quatro anos depois, a pergunta que se coloca é outra: até que ponto aquela votação pode ser convertida em uma candidatura competitiva para a Câmara dos Deputados?
É uma equação diferente.
Disputar o Senado e disputar a Câmara são experiências eleitorais distintas. Na eleição majoritária, vence quem obtém a maior votação. Na proporcional, além do desempenho individual, entram em cena os votos do partido ou da federação e a distribuição das cadeiras.
Não há como transportar os números de 2022 para a eleição deste ano. São disputas de natureza diferente, com dinâmicas eleitorais distintas.
Mas também seria um erro ignorá-los.
Pollyanna já teve uma campanha majoritária em que conseguiu alcançar o segundo lugar em um estado inteiro. Esse histórico, por si só, não garante desempenho futuro, mas é um elemento que precisa entrar na análise de qualquer cenário sobre a disputa proporcional.
E há outro componente: a estrutura política.
Em 2026, Pollyanna está no Progressistas e integra a nominata da Federação União Progressista, que reúne PP e União Brasil. A federação registrou 13 candidaturas para a Câmara dos Deputados na Paraíba, com nomes já com mandato a exemplo de Aguinaldo Ribeiro (PP) e Damião Feliciano (União).
Isso torna a disputa interna tão importante quanto a concorrência entre diferentes grupos políticos.
Em eleições proporcionais, não basta perguntar quem são os candidatos mais conhecidos. É preciso observar a capacidade de cada nominata de produzir votos, a distribuição regional das candidaturas, a presença de nomes com mandato, as alianças municipais e a capacidade de cada concorrente de ocupar espaços diferentes do eleitorado.
Nesse aspecto, Pollyanna não parte do zero.
Sua trajetória reúne experiência no Executivo municipal, passagem pelo Legislativo e atuação no governo estadual. Também passou por diferentes partidos ao longo da carreira, entre eles PT, PSB e, atualmente, PP. Essa circulação política lhe deu interlocução com grupos distintos da política paraibana.
Isso pode ser uma vantagem.
Mas também impõe uma cobrança maior: quem já ocupou diferentes posições de poder chega à eleição com mais realizações para apresentar — e também com mais decisões para explicar.
Existe ainda uma dimensão de representatividade nessa eleição.
A bancada paraibana no Senado tem atualmente Daniella Ribeiro como única mulher entre os três representantes do estado naquela Casa. Na Câmara dos Deputados, a composição também é majoritariamente masculina. Ou seja, de 15 parlamentares paraibanos, apenas um é mulher. Ou seja, 93% do parlamento é homem e apenas 7% é mulher.
Uma eventual eleição de Pollyanna manteria a presença feminina da Paraíba no Congresso Nacional, já que Daniella encerra seu último ano de mandato como senadora nessa legislatura.
Mas reduzir sua candidatura a essa condição seria uma análise insuficiente.
O fato de ser mulher pode compor a leitura política da disputa, mas não substitui os demais elementos que determinam uma eleição: votos, alianças, estrutura partidária, presença regional, desempenho da nominata e capacidade de comunicação com o eleitorado.
Há, por outro lado, um capítulo da trajetória recente de Pollyanna que inevitavelmente fará parte do debate político: o caso envolvendo o Hospital Padre Zé e o programa Prato Cheio.
Em maio deste ano houve uma denúncia do Ministério Público contra Pollyanna, o ex-secretário Tibério Limeira e outros investigados. A investigação trata de supostos desvios de recursos destinados a instituições ligadas ao Hospital Padre Zé.
É importante fazer a distinção jurídica: ser ré não significa ser condenado.
O processo ainda terá seu curso, com apresentação das defesas, produção de provas e posterior análise judicial. Pollyanna nega envolvimento em irregularidades e tem direito à ampla defesa e à presunção de inocência. Nesse quesito, se mostra tranquila.
Politicamente, porém, o assunto existe e não pode ser ignorado. Em uma eleição, adversários certamente poderão explorá-lo, enquanto a candidata terá espaço para apresentar sua versão e os argumentos de sua defesa.
O papel do jornalismo, nesse caso, é justamente separar acusação, investigação, processo e eventual condenação — institutos que não podem ser tratados como se fossem a mesma coisa.
A eleição para a Câmara dos Deputados ainda passa por muitas variáveis.
Será necessário observar o desempenho da federação, a força dos demais candidatos da nominata, a distribuição regional dos votos e a capacidade de cada candidatura de transformar capital político em votação efetiva.
É nesse ponto que Pollyanna merece atenção.
Não porque esteja eleita antecipadamente. Não está.
Não porque sua votação de 2022 possa ser simplesmente repetida. Não pode.
E muito menos porque uma trajetória política, por si só, assegure uma vaga em Brasília.
Mas porque ela reúne alguns ingredientes que tornam sua candidatura relevante para a análise: experiência administrativa, passagem pelo Legislativo, conhecimento de diferentes regiões do estado, trânsito político e uma votação expressiva em uma eleição majoritária recente.
Há, portanto, uma diferença entre dizer que Pollyanna é favorita e reconhecer que ela é competitiva.
A primeira afirmação exige uma certeza que a eleição ainda não oferece.
A segunda é uma hipótese política que os números e a trajetória permitem colocar na mesa.
É por isso que, entre tantas candidaturas que disputarão espaço na Paraíba, Pollyanna aparece como um dos nomes que merecem ser acompanhados na disputa proporcional.
A urna, naturalmente, dará a resposta. Até lá, o mais interessante é acompanhar como uma candidata que já chegou ao segundo lugar em uma disputa para o Senado conseguirá — ou não — transformar aquele capital eleitoral em uma nova etapa de sua trajetória política.
E essa é uma questão que merece ser observada com atenção.
Em tempo
A Paraíba não elege uma mulher para a Câmara dos Deputados desde 2018, quando Edna Henrique conquistou uma das 12 cadeiras destinadas ao estado. Em 2022, nenhuma das vagas ficou com uma candidata. O dado ajuda a dimensionar o desafio — e também a relevância — da disputa feminina por uma vaga em Brasília em 2026.
Histórico
Lúcia Braga: Foi a primeira mulher paraibana a se eleger deputada federal, em 1986 (participando da Assembleia Nacional Constituinte de 1988), sendo reeleita em 1990 e eleita novamente em 2002.
Nilda Gondim: Eleita deputada federal para o mandato de 2011 a 2015.
Edna Henrique — eleita deputada federal em 2018
Além delas, Eliza Virgínia chegou à Câmara como suplente, assumindo o mandato temporariamente.
