A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro pelos próximos 90 dias repercutiu na Paraíba nesta terça-feira (14). Enquanto o presidente estadual do PL, Marcelo Queiroga, classificou a medida como “esdrúxula”, a presidente do PT da Paraíba, deputada estadual Cida Ramos, considerou a determinação adequada diante das restrições impostas ao ex-presidente.
Pré-candidato ao Senado pelo PL, Marcelo Queiroga fez duras críticas ao ministro Alexandre de Moraes e afirmou que a decisão representa um tratamento desigual por parte do Supremo Tribunal Federal.
“O ministro Alexandre de Moraes mostra o que ele realmente é: um tirano que se acha acima das leis e da Constituição Federal. O povo brasileiro está avisado e vai eleger senadores conservadores e independentes para aplicar em Alexandre de Moraes um cartão vermelho, que é o que ele merece”, declarou.
Para Queiroga, a decisão evidencia o que chamou de “dois pesos e duas medidas” adotados pela Suprema Corte em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Já a deputada estadual Cida Ramos, presidente do PT na Paraíba, defendeu a decisão do STF. Segundo ela, Jair Bolsonaro, por estar submetido a medidas cautelares e impedido de atuar politicamente, não deve manter contatos que possam ser utilizados para fins eleitorais.
“Bolsonaro está com seus direitos caçados, então é complicado ficar nessa relação. Flávio, que é candidato à Presidência, mantém uma relação que é, sobretudo, política quando vai visitar o pai. Achei correta essa posição de Moraes”, afirmou.
Entenda a decisão
Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro não poderá visitar o pai até depois do primeiro turno das eleições, previsto para 4 de outubro.
A medida foi tomada após o senador ler, durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, uma carta escrita por Jair Bolsonaro com conteúdo político-eleitoral. Para o ministro, a divulgação da mensagem descumpriu a decisão anterior que proibia o ex-presidente de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, por intermédio de terceiros.
Antes da live, Flávio Bolsonaro havia anunciado nas redes sociais que faria a leitura de um “recado muito importante” do pai ao país. Na carta, Jair Bolsonaro manifestava apoio à pré-candidatura do filho à Presidência da República.
Além de suspender as visitas por 90 dias, Moraes determinou o envio do caso ao Ministério Público Eleitoral para apurar eventual prática de propaganda eleitoral antecipada, uma vez que a campanha oficial na internet, rádio e televisão só é permitida a partir de 16 de agosto.
