Categorias: Política

Monti sugere que não deve se candidatar a primeiro-ministro da Itália

O primeiro-ministro interino da Itália, Mario Monti, que renunciou na sexta-feira, deu neste domingo o sinal mais forte até agora de que pode não disputar as eleições parlamentares previstas para fevereiro. "Eu ainda não sei. Mas algo dentro de mim está me dizendo para não disputar", disse Monti em uma entrevista para o jornal La Repubblica.

Com o apoio de líderes europeus, dos mercados financeiros e da Igreja Católica, Monti tem sido pressionado a se candidatar, para evitar que a Itália volte a ser afetada pela crise da dívida na Europa, além de evitar o retorno do polêmico Silvio Berlusconi.

Monti não pode disputar oficialmente as eleições, já que é um senador vitalício, mas ele pode ser apontado para um cargo no governo depois da votação, inclusive para primeiro-ministro. Na entrevista ao La Repubblica, ele afirmou temer que sua candidatura ameace uma potencial aliança entre os partidos centristas e os de centro-esquerda.

Após um mandato focado na austeridade, Monti perdeu apoio entre os italianos e sua popularidade despencou de 60% para cerca de 30% nas últimas semanas. Questionado se não teme abrir caminho para o retorno de Berlusconi caso não se candidate, Monti respondeu: "Será que ele pode ser eleito pela sexta vez, após vermos o dano que ele causou para a economia italiana e a credibilidade do país?".

Liderança

Monti disse hoje que está disposto a liderar o próximo governo, após as eleições parlamentares previstas para fevereiro. Monti afirmou que não está alinhado a nenhum partido e que não vai se candidatar por nenhum distrito – ele já é senador vitalício – mas disse que está "pronto para assumir a responsabilidade" de liderar o próximo governo.

 

Monti, que assumiu o governo em 4 de dezembro do ano passado, indicado pelo presidente Giorgio Napolitano após a renúncia do então primeiro-ministro Silvio Berlusconi, defendeu as duras medidas de austeridade adotadas por sua administração. "Hoje eu posso dizer que a emergência financeira foi superada e os italianos podem novamente ser cidadãos da Europa e caminhar de cabeça erguida. Nós não utilizamos a ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Nós sempre acreditamos que a Itália tinha os recursos para superar essa crise sozinha. E a estrada que nós percorremos era a estrada certa", disse ele em seu discurso de fim de ano, segundo noticiado pela agência Ansa e pelo jornal Corriere Della Sera.

 

Segundo Monti, a crise financeira foi superada, mas a Itália ainda enfrenta uma crise institucional e de crescimento. O premiê afirmou que a maioria que seu governo tinha no Parlamento lhe permitiu fazer um bom governo, mas impediu um governo melhor, já que reformas importantes precisavam de uma grande maioria. Para ele, o maior mérito de seu governo foram as reformas no sistema de aposentadoria e a criação de um novo imposto sobre propriedade.

 

Ele disse ainda que rejeitar as diretrizes da UE é um caminho certo para a "perdição". Para o primeiro-ministro, as políticas do bloco podem sim ser criticadas, mas não abandonadas. Ele também sugeriu que o governo italiano deveria cumprir, preventivamente, as condições para poder se beneficiar do programa de compras de bônus do Banco Central Europeu (BCE), chamado Transações Monetárias Completas (OMT, na sigla em inglês).

 

Monti apresentou um manifesto, intitulado: "Mudar a Itália, reformar a Europa: agenda para um esforço conjunto", que será divulgado em um website específico e deve ajudar a guiar o próximo governo.

 

O líder tecnocrata também criticou Berlusconi, afirmando que tem dificuldade em acompanhar seu pensamento. "É um quadro de entendimento mental que me escapa. Ele diz que meu governo foi um desastre e ao mesmo tempo pede para que eu lidere os moderados. Nessas circunstâncias, eu não posso aceitar nenhuma proposta dele", afirmou
 

 

Estadão

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