Em mais um dia de turbulências para o governo no Congresso Nacional, o esforço de ministros da presidente Dilma Rousseff para convencer partidos aliados a votarem a favor das Medidas Provisórias (MPs) do ajuste fiscal, a 664 e a 665, não surtiu o efeito desejado.
Uma força-tarefa compostas pelos ministros Pepe Vargas (Relações Institucionais), Carlos Gabas (Previdência) e Manoel Dias (Trabalho) aterrissou na Câmara, na tarde desta terça-feira, para explicar às bancadas do PR e do PP e necessidade da aprovação das medidas que endurecem as regras para concessão de benefícios como seguro-desemprego, pensão por morte, abono salarial e auxílio-doença. Mas, os ministros não conseguiram convencer os aliados.
As sessões com os ministros foram esvaziadas. Na reunião com o PR, que tem uma bancada de 33 deputados, menos da metade acompanhou as explicações. Com o PP, que tem 40 deputados, não chegava a 20 o total de presentes. Um dos maiores obstáculos para o apoio da base, alegam integrantes dos dois partidos, é o fato do próprio PT – partido da presidente Dilma – estar majoritariamente contra as medidas.
— A primeira missão dos ministros vai ser convencer o PT. Com os dois principais partidos governistas, o PT e o PMDB, contra essas medidas, gera uma insegurança para os outros partidos da base. Essas reuniões são até interessantes para conhecermos melhor o conteúdo, mas não terão tanto efeito prático — pontuou o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), ex-ministro das Cidades.
Na segunda-feira, o GLOBO divulgou levantamento segundo o qual os parlamentares do PT são, em grande maioria, contra o ajuste fiscal da forma como foi proposto pela presidente Dilma Rousseff. Dos 59 deputados e senadores do PT que foram ouvidos (do total de 79 da bancada petista no Congresso), 40 disseram que não concordam com as propostas enviadas ao Congresso pelo governo, enquanto apenas 18 concordam e um não quis se posicionar.
Durante a sessão com os ministros, deputados do PR questionaram o fato das medidas dificultarem o acesso a benefícios trabalhistas em um momento de crise econômica e de demissões em diversas áreas devido ao escândalo de corrupção na Petrobras. Os ministros aproveitaram para fazer uma defesa dos acordos de leniência com as empresas envolvidas no esquema, alegando que, se forem impedidas de continuar firmando contratos com o governo, os empregos no Brasil irão “derreter”.
— Não podemos rotular as empresas, senão não vamos mais ter obras no país e os empregos vão derreter. Aí, o Brasil vai ter que dar empregos na China. A sociedade tem que se levantar e defender o emprego, senão milhares vão ser demitidos — afirmou Carlos Gabas.
A apresentação dos ministros não agradou a bancada do PR. A deputada Clarissa Garotinho (RJ) disse que o governo deveria ser mais “sincero” ao conversar com a base e deixou claro que não apoiaria a aprovação das medidas.
— O governo tem que debater com mais sinceridade. Espero que a presidente Dilma, que é do Partido dos Trabalhadores, não queira tirar direitos dos trabalhadores. Mas, não é isso que estou lendo no projeto. Não consigo votar favorável, na medida que é diferente o discurso da prática — disse a deputada.
A relação do governo com a base não está conflagrada somente na Câmara. No Senado, a tensão com Renan Calheiros (PMDB-AL) é crescente. Apesar disso, Pepe Vargas negou que a situação com o presidente do Senado esteja deteriorada. Pepe disse que conversou com Renan depois do jantar no Palácio da Alvorada, mas que não trataram a ausência do presidente do Senado. O ministro disse ainda que, se Renan quer uma reunião mais reservada com a presidente Dilma, para tratar assuntos de seu interesse, pode pedir diretamente a ela.
— O presidente do Senado tem linha direta com a presidente Dilma, não precisa pedir a ministro nenhum para conversar com ela. Ele mesmo pode ligar e pedir essa reunião quando quiser — afirmou.
Poucos minutos depois de afirmar ao GLOBO que não há “falta de diálogo” com Renan, no entanto, o ministro teve que deixar correndo a sessão da qual participava para apagar o incêndio no Senado quando foi pego de surpreso com a informação de que Renan Calheiros iria devolver ao governo a MP das desonerações.
O Globo
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