Categorias: Política

Milagre dos EUA põe medalhões em choque

Gol no último minuto coloca Inglaterra e Alemanha frente a frente nas oitavas, Gana mantém a África na Copa e Capello evita vexame britânico

Foi o dia do salve-se quem puder. Gana salvou a África: é o único país do continente a sobreviver na Copa. Fabio Capello salvou seu emprego e a honra britânica com mexidas no time e uma “poção mágica”. A Alemanha poupou boa parte dos comentaristas esportivos de zoações eternas a respeito de aclamação precoce. E os Estados Unidos, quem diria, resgataram uma certa noção de justiça neste Mundial, com uma classificação comovente feito filme de Frank Capra.

Foi um dia bonito. E dias ainda melhores estão por vir. Parafraseando certas faixas de torcida, Copa do Mundo não é obrigação. Só vê quem quer. Aos ranzinzas que adoram reclamar do nível técnico na África do Sul e aos apaixonados por seus clubes, já saudosos de embates contra Grêmio Prudente ou Macaé, fica a dica: no próximo domingo teremos duas partidas em CAPS LOCK pelas oitavas de final: ALEMANHA x INGLATERRA, às 11h, em Bloemfontein, e ARGENTINA x MÉXICO, às 15h30, em Joanesburgo.

E quem deu de presente ao 19º Mundial esse repeteco da final de 1966 foi Landon Donovan, 28 anos, o maior jogador de soccer de todos os tempos. O atípico garoto californiano foi agraciado com um gol salvador aos 45 do segundo tempo. Até então, o 0 x 0 em Pretória com a Argélia e o 1 x 0 da Inglaterra sobre a Eslovênia despachavam os EUA de volta pra casa, carimbando no torcedor Bill Clinton, presente na tribuna do estádio, a fama de pé-frio. Mas Donovan pegou o chutão do goleiro Howard no meio de campo e correu como um papa-léguas. Na intermediária, passou na ponta para Altidore, que tentou cruzar. O goleiro argelino tentou interceptar, trombou com Dempsey, e a bola sobrou para ele, Donovan.

Um gol glorioso, comemorado com pirâmide humana de Super Bowl e lágrimas contidas do herói. Desde a estreia, o time treinado por Bob Bradley vinha mostrando futebol de bom nível, sem conseguir vencer. Na partida contra a Eslovênia teve o que seria o tento da vitória anulado por motivos esotéricos – o soprador de apito malinês Koman Coulibaly marcou aquilo que o jargão boleiro chama de “perigo de gol”. E contra a Argélia tinha havido um outro golzinho erradamente impugnado. Mas o impedimento inexistente tornou-se historicamente irrelevante ao toque preciso do garoto que começou a jogar bola pelos lados de Rancho Cucamonga, conhecida mundialmente por amantes do rock como lar de Frank Zappa no começo dos 60s.

Ainda emocionado na entrevista coletiva pós-jogo, Donovan depois mencionaria os quatro anos turbulentos que passou e agradeceu à ex-mulher, a atriz Bianca Kajilich, de quem se divorciou no ano passado. “Ela foi parte disso tudo comigo, tive essa sorte”, contou. Quando jornalistas perguntaram se haveria reconciliação, o jogador estabeleceu um limite sem perder a simpatia: “O que é isso? ‘Access Hollywood’?”, referindo-se ao programa de fofocas sobre celebridades.

 

Apontado como uma das revelações da Copa de 2002, Donovan fez uma participação tão apagada quanto a de Ronaldinho Gaúcho no Mundial da Alemanha. Em 2007, jogando pelo Los Angeles Galaxy, entrou em atrito com um medalhão que viera colonizar o soccer de sua terra. “David Beckham não tem espírito de equipe”, chegou a comentar, antes de ser exportado. No Bayern de Munique, em 2008, teve uma experiência malsucedida (que se somou à longa ligação anterior com o Bayer Leverkusen, também sem sucesso). No ano passado, porém, seu talento ressurgiu no Everton, da Inglaterra. Se dependesse da torcida inglesa, teria ficado por lá. Mas o Galaxy o quis de volta. Back for good.

Bianca, a “ex” homenageada por Donovan (Getty)Agora Donovan tem chance de fazer algo que nem Pelé conseguiu. E não estamos falando de gols de meio do campo ou com drible de corpo no goleiro; isso já foi feito por muitos zé ruelas sem talento por aí. Milagre americano para valer seria fazer os EUA aprenderem a amar o soccer feito o resto do mundo. Ou melhor, do jeito deles, mas com direito a brilhar de vez em quando no horário nobre das Fox News da vida.

 

‘ADRIANO’, ‘JOSIEL’ E ‘NÓIA’ AJUDAM A DECIDIR O GRUPO D

 

Simon e Gyan: ‘Ô, Adriano, tá me ouvindo?’ (Reuters)Em Joanesburgo, uma Alemanha hesitante ficou a um golzinho da eliminação precoce durante quase uma hora de bola rolando. E o danado esteve perto, muito perto de acontecer aos 25 do primeiro tempo, quando Gyan, uma espécie de Adriano piorado, cabeceou e Lahm salvou com o peito, em cima da linha. No segundo tempo, os ganeses ainda esquentaram o goleiro Neuer (pronuncia-se “nóia”), mas um balaço de Özil, de fora da área, afastou o risco de tragédia, aos 14 do segundo tempo.

À essa altura, em Nelspruit, a Sérvia ainda não tinha saído do zero contra a Austrália. O gol parecia estar agendado. E ele veio em dose dupla, aos 24 e e aos 28 do segundo tempo, só que para o lado dos Socceroos. Pantelic, um Josiel (caneleiro e cabeludo) da terra de Pet, ainda descontaria e brigaria com chances claras de empate até o último minuto. Nada feito.

 

 

 

 

SEGREDO DO ‘DRUIDA’ CAPELLO MELHORA INGLATERRA

E a balcanização da Copa do Mundo foi para os ares com a eliminação também da Eslovênia, que “morreu” achando bom negócio perder para a Inglaterra por um a zero. Sem jogar bem, a seleção britânica apresentou melhoras e botou o goleiro Handanovic para trabalhar. As mexidas de Capello surtiram efeito claro no gol da vitória, que deixou os ingleses mais calminhos já aos 22 do primeiro tempo: Millner, que entrou no lugar de Lennon, cruzou pela direita, e Defoe, que substituiu Heskey, guardou. Enquanto esteve em campo, Rooney também pareceu nitidamente mais motivado e eficiente. O segredo do “druida” Capello, revelado pelo próprio com orgulho, após a classificação: tinha liberado na véspera a cervejinha dos jogadores.

Confira outros personagens do dia:

 

 

HAKUNA MATATA: EUA

Uma montanha de felicidade. Sorry, folks, não há touchdown que se compare a fazer um gol de classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo aos 45 do segundo tempo.

 

 

 

ZEBRA: AUSTRÁLIA

Depois dos kiwis, chegou a vez dos cangurus assumirem um papel na fauna africana. Pegaram o resto da tinta da zebra e escoicearam para fora da Copa do Mundo os sempre instáveis sérvios. No tempo do marechal, não tinha essa bagunça, não.

 

G1

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