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Mídia Nacional revela que coordenador de Bolsonaro no NE é acusado de agressão

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A Folha trouxe em uma de suas matérias a informação de que o coordenador político do deputado federal e pré-candidato a presidente, Jair Bolsonaro (PSC-RJ) no Nordeste, o dirigente partidário Julian Lemos foi por três vezes alvo da Lei Maria da Penha, acusado de agressão pela irmã e pela ex-mulher. Os casos ocorreram em 2013 e 2016. Em um deles, o dirigente foi preso em flagrante.

 

Lemos é presidente na Paraíba do Patriota, partido ao qual Bolsonaro negocia filiação para se lançar à Presidência em 2018, e aparece em ao menos 20 ocasiões em fotos e vídeos com o pré-candidato.

 

Em um dos vídeos, Bolsonaro chama Lemos de "meu homem de confiança da Paraíba". Em outro, deseja bom final de ano aos paraibanos, em especial a Lemos, que identifica como o seu coordenador político no Nordeste.

Lemos se apresenta como consultor de segurança e diz ter conhecido Bolsonaro quando fez sua escolta em João Pessoa (PB). Os dois aparecem lado a lado na assinatura da pré-filiação de Bolsonaro ao Patriota.

 

Dos três inquéritos, dois foram arquivados após a ex-mulher, Ravena Coura, apresentar retratação às autoridades, dizendo ter "se exaltado nas palavras e falado além do ocorrido".

 

A primeira queixa ocorreu em 2013, ocasião em que ela relatou às autoridades ter sido agredida fisicamente e ameaçada por arma de fogo. Lemos foi preso em flagrante.

 

Em 2016, a ex-mulher fez nova representação. Segundo relato aos policiais, seu ex-companheiro "é uma pessoa muito violenta" e a ameaçou dizendo: "Vou acabar com você, você não passa de hoje".

 

Seis meses depois, em documento entregue à Justiça pelos advogados de Lemos, ela diz que tudo não passou de uma "desavença banal" e afirma que o ex-marido "é um homem íntegro, honesto, trabalhador e cumpridor de todas as obrigações".

 

Na audiência em que ela se apresentou pessoalmente ao juiz, a ex-mulher disse que já havia perdoado seu ex-companheiro, manifestando o desejo de desistir da acusação.

 

O terceiro inquérito foi aberto em 2016 por representação da irmã do dirigente e está em andamento. Em depoimento aos policiais, Kamila Lemos afirmou ter tentado "apaziguar" uma briga do irmão com a ex-mulher, quando passou a ser ofendida e agredida fisicamente, com "murros, empurrões", tendo sido arrastada pelo pescoço. Laudo do IML confirmou escoriações.

 

Quase um ano depois os advogados de Lemos apresentaram carta com retratação da irmã sob o argumento de que o caso já fora resolvido pelas partes. A Justiça quer, porém, ouvi-la em audiência, que ainda não ocorreu porque Kamila estaria morando na Argentina. Por lei, casos de violência física seguem tramitando, ainda que a vítima desista da queixa.

 

OUTRO LADO

 

O dirigente partidário Julian Lemos negou todas as acusações, repetindo várias vezes que nunca agrediu a irmã ou a ex-mulher.

 

Segundo ele, as representações foram motivadas por momentos de "fragilidade emocional" das familiares.

 

"Ela não vai ser nem a primeira nem a última [a se retratar]. Ou você acha que toda Maria da Penha é aquilo ali que está escrito [na acusação]?" (…) Nunca agredi, nunca, nunca, nunca".

 

De acordo com o dirigente partidário –seu nome é Gulliem, mas ele prefere a simplificação "Julian"–, sua irmã já enviou a ele vídeo o isentando, mas ainda não conseguiu comparecer em juízo para se retratar pessoalmente porque está morando na Argentina.

 

"Eu sou inocente de fato e de direito. Ele [Bolsonaro] com certeza deve ter recebido a informação de que eu sou inocente. Sou uma pessoa muito simples. E, se for prejudicar ele, eu saio no outro dia."

 

Lemos afirmou defender a Lei Maria da Penha e ser contra qualquer tipo de violência doméstica. E que é "armamentista", mas só defende porte de armas para pessoas que estejam sob ameaça. Sua arma é legalizada e fica em casa, afirma.

 

Folha informou o teor da reportagem à assessoria de Bolsonaro, mas ele não quis se pronunciar.

 

A reportagem também não conseguiu contatar a irmã e a ex-mulher de Lemos.

 

Everson Coelho de Lima, um dos advogados responsáveis por entregar às autoridades as cartas de retratação das duas, afirma que elas mantêm a posição de não prosseguir com a representação.

 

Redação com Folha 

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