Há um traço constante e inseparável da biografia do governador José Maranhão: a traição. É uma característica intrínseca à sua personalidade, algo bem na linha daquela velha piada sobre a justificativa apresentada pelo escorpião à tartaruga que o ajudava a atravessar um rio, em plena enchente, mas não resistiu à faculdade de, atraiçoadamente, matar o companheiro: “Me perdoe, mas minha natureza é assim…”

Vítima mais recente do processo de traição deliberada por parte de José Maranhão, o prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, não esconde de ninguém sua estupefação diante da forma como o velho cacique tenta sufocar todos os que contrariam seus interesses e não concordam com sua política do posso-posso-e-posso. A violência dos “recados” velados nos bastidores não deixa por menos: sejam trucidados todos os que ousam se contrapor às suas vontades.

Com sede de vingança desde que Ricardo Coutinho não levou em conta sua “recomendação” para que o PMDB fizesse parte da chapa majoritária da reeleição em João Pessoa, em 2008, José Maranhão manobra pedras no tabuleiro da administração pública com o claro intuito de tirar o prefeito da Capital da esportiva: tenta tirar da Prefeitura auxiliares de Coutinho sem a menor cerimônia; procura asfixiar Ricardo, tirá-lo do céu de brigadeiro em que tentava pavimentar sua candidatura ao Governo do Estado.

Não chega a ser novidade para quem conhece José Maranhão essa postura irrequieta para atropelar adversários, essa pré-disposição para trair. São inúmeros os casos, desde os tempos remotos de sua vida pública na pacata Araruna. Lá, na década de 90, o então prefeito Nivaldo Izidro Alves se submeteu a um processo de impeachment conduzido pelo então deputado federal e líder político da região. Izidro ousou não seguir religiosamente sua cartilha, teve a audácia de dizer-lhe não. Caiu em desgraça com o chefe.

A lista de traições de Maranhão é longa, na verdade. Dela fazem parte, como vítimas de sua contumácia em criar ex-amigos, Ronaldo Cunha Lima, Ney Suassuna, Inaldo Leitão, Mabel Mariz e uma infinidade de personalidades que, em algum momento, não mais interessavam dentro de seu mundinho muito seu.

Ricardo Coutinho é a bola da vez.

E, para isso, os sinais mais claros de um rompimento inevitável já começam a se evidenciar em escala ascendente. A tentatva de esvaziar a equipe de Ricardo é um movimento visível. Mas há aqueles mais sutis, como os que já começam a se detectar nas páginas do Correio da Paraíba, com fustigadas na imagem do prefeito da Capital.

É a coreografia da traição em andamento. É o escorpião que existe dentro de Maranhão sem poder conter a própria natureza.

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