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Maranhão: mais do que vinho

Foi extremamente emblemática a declaração do governador José Maranhão no programa de Napoleão de Castro, na 101 FM. Com todas as letras, o governador, que virou referência política no Estado desde 1995, declarou que está melhor do que o Maranhão de ontem. Como gente, está mais sensível e humilde, como gestor, mais experiente. Ou seja, evoluiu. Ao declarar isso, Maranhão mostra que quer livrar-se de si mesmo.

Deduz-se da declaração, que tem um toque de estratégia de marketing, que Maranhão quer simplesmente tirar das costas o peso de carregar o espectro de um político velho, ultrapassado. Especialmente, porque tem diante de si um concorrente – Ricardo Coutinho – que se “vende” e tem sido visto como o novo na política, “aquele que veio para fazer ruir o vicioso ciclo político no Estado”.

A idéia de lançar uma campanha comparando o governador como vinho, no melhor estilo quanto mais velho melhor, deve estar totalmente fora de cogitação. Maranhão tem que ser apresentado como novo, ou no caso dele, reciclado.

Não é um desafio fácil. Já tratamos sobre isso. Maranhão tem os votos que são dele desde que se tornou general de uma parte política que divide a Paraíba em duas. A pesquisa Opinião, publicada pelo PB Agora, revelou bem isso: deu empate entre Maranhão e Ricardo.

O problema do governador é a conquista de novos eleitores num nível que contenha a expectativa de mudança que vem se criando em torno do prefeito Ricardo Coutinho. Não é fácil carregar o peso de três governos e dizer que quer o quarto. Mesmo quando se trata de um gestor excepcional, há a necessidade de arejar. Até o presidente Lula, fenômeno de popularidade no Brasil, reavalia com cuidado a tese de terceiro mandato para não “cansar” o brasileiro.

Claro que não se trata de desprezar a força de Maranhão. Falamos de desafios. E o dele é ter eleitores que votem com entusiasmo em favor da continuidade de seu projeto, além de ampliar a margem de simpatizantes que possui desde de 2002. A tese de ter o apoio do senador Cícero Lucena, do PSDB, em caso de rompimento definitivo entre o tucano e Cássio, deve ajudá-lo um pouco.

Mas, particularmente, os caminhos a trilhar se resumem em dois: bom desempenho de governo e “canetada”. Maranhão terá que saber usar a caneta na conquista de apoios e a opinião pública na realização de obras.

Sem isso, é melhor repassar o bastão para o prefeito Veneziano Vital do Rego. Que, se alçado à condição de candidato, sofrerá com o ônus de carregar a bandeira de “um projeto velho”, mas, ao menos, tem como se desvincular de Maranhão como mais eficiência que o próprio Maranhão.


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