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Maranhão e a oposição

O primeiro programa “Palavra do Governador” de 2010, levado ao ar na manhã desta terça-feira, teve duração de uma hora e a participação de jornalistas e radialistas convidados para uma espécie de sabatina a José Maranhão. Uma das questões abordadas no programa foi o relacionamento entre Executivo e Legislativo no Estado, tema em que o governador usou a velha estratégia do morcego: mordeu e assoprou. “Prefiro acreditar que os deputados vão melhorar a cabeça”, foi uma das primeiras declarações de Maranhão que, em seguida, moderou a crítica, indo para o campo do interesse público: “Quando um parlamentar se opõe a um projeto de governo que vem beneficiar a população, ele não está fazendo uma oposição inteligente”.

Argumentando em favor de uma oposição mais amiga, o governador evocou seu passado político como respaldo para seus “conselhos” aos deputados: “Não quero ensinar oposição a ninguém, apesar de ter know how nessa área, porque minha vida foi quase sempre de oposição, inclusive ao regime de 1964”, disse, para, em seguida, completar: “Acredito que a oposição vai trabalhar de forma inteligente e, hoje, tanto isso é verdade, que um grupo significativo de deputados da oposição já está colaborando com os projetos de interesse da Paraíba. Se não fossem esses parlamentares, a oposição ranzinza, intransigente e mesquinha até agora não teria aprovado nada”.

Relação difícil

A tese de Maranhão, de que a oposição deve fazer seu papel de maneira inteligente, é tão correta quanto lógica. Mas o inverso também vale: o governo tem de saber ser situação, relacionando-se inteligentemente com o bloco oposicionista. Não adianta nada peitar o Legislativo. Quando um dos lados tenta mostrar que pode mais, a relação entra num processo de ignorância e mesquinharia política que beira a sordidez, porque, muito embora nestas ocasiões cada grupo conclame-se defensor dos interesses populares, acusando um ao outro de politicagem, ambos agem em prol de seus próprios anseios, com prejuízo – como sempre – para o povo.

Zé “sereno”

“Uma das coisas que reivindico, como traço da minha personalidade ou do meu caráter, é a serenidade. Não me deixarei envolver pelas provocações que certamente acontecerão”, ponderou o governador, ao ser questionado se temia ter sua administração estorvada pelos adversários durante a campanha. Maranhão condenou uma eventual transformação do processo eleitoral em pugilismo político e prometeu, de sua parte, manter a linha: “Não vou perder o rumo. Como bom navegador, vou perseguir meu rumo, que é lutar pelo desenvolvimento da Paraíba, e a discussão que quero fazer é a discussão que a Paraíba quer ouvir, das soluções para os problemas que mais incomoda a nossa gente”.

Quem aposta?

Ainda no tocante às provocações, o governador José Maranhão considerou que “essa eleição vai ser o palco de um tempo novo, em que os candidatos serão instados pela população, a fim de discutirem programas, ideias, e não digladiarem, numa atitude que seria censurada pela opinião pública”. Embora tal realidade seja ideal e necessária, duvideodó que tenhamos pela frente uma campanha de bom nível, sem a presença constante de acusações, futricas e baixarias, até porque, lamentavelmente, não podemos nos fiar na criticidade de nossa opinião pública. Alguém aposta no contrário?
 


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