Categorias: Política

Manobra pode cortar Maranhão do Governo Dilma

Manobra estratégica do PT pode cortar José Maranhão da vice-presidência da CEF; PSB dos governadores Eduardo Campos e RC seria o maior beneficiado

O PMDB do ex-governador José Maranhão já se prepara contra uma possível investida do Planalto na tentativa de reduzir a força nacional da legenda, jogando para fortalecer o PSB de Eduardo Campos (PE) e Ricardo Coutinho.

Caso a estratégia dê certo, o ex-chefe do Executivo da Paraíba pode terminar ficando “a ver navios”, sem seu cargo na vice-presidente da Caixa Econômica Federal.

Para reverter o “apocalíptico” quadro, o PMDB votou fechado nas decisões sobre o novo mínimo na Câmara e no Senado, como uma espécie de “pressão silenciosa”, em uma tentativa de sufocar qualquer tipo de aproximação mais aprofundada entre os socialistas e o Planalto.

Toda essa complexa conjuntura foi matéria do Correio Brasilienze, que inclusive destacou o ex-governador paraibano como um político esperado entre os dirigentes da Caixa Econômica.

Leia na íntegra a matéria do Correio Braziliense

PMDB com receio de ser deixado de lado

Peemedebistas estão desconfiados de que PT trabalha pelo crescimento do PSB e temem ser preteridos nas nomeações do segundo escalão.

Embora fiel e confiante de que com a aprovação do salário mínimo, o governo deu sinal verde para parte das suas nomeações de segundo escalão, o PMDB não perdeu a sensação de que não é considerado um “irmão do PT” na aliança governamental. Essa foi a principal conclusão de uma reunião na noite de terça-feira de vários parlamentares peemedebistas com o vice-presidente da República, Michel Temer.

Os peemedebistas desconfiam que o PT joga para fazer crescer o PSB de Eduardo Campos, a fim de evitar que o PMDB ganhe musculatura, capaz de levá-lo a um projeto político próprio daqui para frente. O primeiro movimento nesse sentido foi a retirada do Ministério da Integração Nacional do PMDB para entregar ao PSB. A segunda vem agora com o fato de a cúpula petista não se mexer para fechar as portas do PSB ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, hoje mais próximo dos socialistas do que do PMDB.

E, para completar, alguns peemedebistas jogam nesse mesmo balaio o fato de a cúpula governamental resistir a nomear os cargos pretendidos pelo PMDB em vários setores. Até agora, a presidente Dilma Rousseff autorizou poucas nomeações.

Está certa, por exemplo, a ida do ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima para a diretoria de crédito de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal. O ex-senador Leomar Quintanilha é apontado como nome garantido numa vice-presidência da CEF, assim como o ex-prefeito de Goiânia Íris Rezende é considerado nome certo na superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste, a antiga Sudeco, e Orlando Pessuti, na diretoria de Agronegócio do Banco do Brasil.

O ex-governador da Paraíba José Maranhão é esperado na diretoria de Loterias da CEF.

Recursos

Outras nomeações, entretanto, são consideradas incertas. O ex-senador Hélio Costa aguardava a presidência de Furnas, mas o lugar terminou nas mãos de Flávio Decat. Costa ainda não conseguiu uma colocação, mas está em situação melhor do que alguns que a bancada do Rio de Janeiro, uma das maiores do partido, gostaria de emplacar. Recentemente, o nome de João Augusto Henriques, ex-diretor de marketing da BR Distribuidora, apareceu como cotado para assumir uma diretoria da Petrobras. Mas ele está proibido pelo Tribunal de Contas da União (leia abaixo) e, embora aguarde o julgamento de recursos, dificilmente vai emplacar.

A possibilidade de verem rejeitadas algumas de suas indicações tem deixado os peemedebistas de cabelo em pé. Afinal, eles já perderam espaço no primeiro escalão e não gostariam de ficar de lado no segundo. Mas, ainda assim, pelo menos, por enquanto, a ordem é não fazer cobranças públicas e buscar mudar a imagem do partido, hoje, espalhada no preenchimento de cargos públicos. E, como o PT não é diferente nesse ponto de ocupação de espaços, há quem diga em conversas reservadas que vai chegar o dia em que o governo Dilma pode ficar pequeno para os dois. Não é à toa que os peemedebistas estão pra lá de desconfiados.

 

Luis Alberto Guedes

PB Agora

com blog do Victor Paiva

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