O ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi deve retornar à presidência nacional do PDT, segundo o secretário-geral da legenda, Manoel Dias. Desde o final da manhã desta segunda-feira, Lupi está reunido com o presidente interino do PDT, André Figueiredo, e o senador Acir Gurgacz (PDT-RO). "É a tendência natural (que ele retorne à presidência)", disse Manoel Dias. Ao assumir o ministério em 2007, Lupi foi recomendado a afastar-se do comando do partido e seguiu a orientação.
O secretário disse ainda que o principal motivo para Lupi renunciar ao cargo no domingo foi o apelo da família. "Ele (Lupi) já tinha sofrido muito", disse Manoel Dias, que participará com Lupi, parlamentares e integrantes da legenda da reunião da Executiva Nacional do PDT, a partir das 14h.
Lupi pediu demissão do cargo após ser alvo de denúncias sobre desvio de recursos públicos de convênios assinados com organizações não governamentais para capacitação de trabalhadores. Em nota publicada no site do ministério, o ex-ministro atribuiu sua saída à "perseguição política e pessoal da mídia".
Ontem, a presidente Dilma Rousseff aceitou o pedido de demissão apresentado. A Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto informou que a partir desta segunda-feira o secretário executivo do Ministério do Trabalho, Paulo Roberto dos Santos Pinto, ocupará o cargo temporariamente.
Em nota, o Planalto informou que a presidente Dilma "agradeceu a colaboração, o empenho e a dedicação do ministro Lupi ao longo de seu governo e tem certeza que ele continuará dando sua contribuição ao País".
A queda de Lupi
O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão no dia 4 de dezembro, cerca de um mês após denúncias de que seus assessores cobrariam propina de organizações não governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta e de que teria ocupado cargo-fantasma na Câmara dos Deputados por seis anos. No governo federal desde 2007, Lupi culpou a "perseguição política e pessoal da mídia" por sua saída.
A crise começou no início de novembro, quando a revista Veja publicou que funcionários do ministério estavam envolvidos em um suposto esquema de cobrança de propina de ONGs conveniadas com a pasta comandada pelo ministro. Segundo a publicação, entidades tinham o repasse bloqueado após problemas com a fiscalização. Assessores de Lupi, então, procuravam os dirigentes para resolver o problema cobrando propinas de 5% a 15%. Na ocasião, Lupi disse que irregularidades de funcionários, se existiam, não podiam ser atribuídas a ele, pedindo investigação do caso.
Mas o escândalo se ampliou quando o ministro teve que ir ao Congresso explicar uma viagem no avião do empresário dono da ONG Pró-Cerrado, que tem convênios de R$ 14 milhões com o Trabalho, para cumprir agenda no Maranhão. Inicialmente, o ministro negou conhecer Adair Meira, mas voltou atrás depois de ter fotos divulgadas ao lado dele. Lupi argumentou ter dito apenas que não mantinha "relações pessoais" com Meira.
Na última semana antes de deixar o cargo, o jornal Folha de S. Paulo, denunciou que o ministro foi lotado na liderança do PDT por seis anos, mas no período exerceu atividades partidárias como vice-presidente da sigla. As normas da administração pública dizem que ocupantes desses cargos devem exercer funções técnicas e precisam trabalhar nos gabinetes. Apesar do apoio do partido e da vontade da presidente Dilma Rousseff em não perder mais um ministro para denúncias de corrupção, a permanência de Lupi no comando da pasta se tornou insustentável após a Comissão de Ética Pública aplicar, por unanimidade, uma advertência e recomendar sua demissão.
Agencia Brasil
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