O presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu nesta quinta-feira o trabalho dos 18 militares mortos no terremoto do Haiti, ocorrido no último dia 12. Durante cerimônia de honras póstumas realizada na Base Aérea Militar de Brasília, Lula disse que, em momentos como esse, “as palavras se tornam frágeis diante da gravidade dos fatos”. “Peço a Deus para que Ele amenize a tristeza por que passam todos os seus familiares”, afirmou.
“Estou falando aqui de destemidos compatriotas que chegaram ao Haiti levando a seguinte mensagem: vocês não estão sozinhos, viemos aqui em nome do Brasil trazer alimentos, remédios (…) paz e, acima de tudo, o respeito do povo brasileiro ao povo haitiano”, disse. O presidente disse “obrigado” seguido do nome de cada um dos militares que morreram.
Antes do discurso, Lula colocou a Medalha do Pacificador com Palma sobre cada um dos 18 caixões, todos cobertos com a bandeira do Brasil. A honraria é concedida a militares e civis que, em tempo de paz, tenham se distinguido por “atos pessoais de abnegação, coragem e bravura, com risco de vida”. Todos os militares receberam uma promoção post mortem. Os soldados foram elevados em duas patentes e os demais, em uma patente.
Durante a solenidade, o comandante do Exército, Enzo Martins Peri se disse atingido pessoalmente com a morte dos militares e afirmou que o Brasil todo chora com a perda daqueles que “combateram o bom combate”. Após um toque de silêncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama, Marisa Letícia, apresentaram, em nome do povo brasileiro, as condolências aos familiares dos soldados.
“Todos combateram o bom combate, levando àquela nação amiga, castigada por violências de diferentes naturezas, que a gente brasileira mais possui: solidariedade, alegria e esperança”, disse o comandante de militar. Diante dos caixões, Peri disse que “a dimensão humana dessa tragédia atinge todos os brasileiros”. “Não percamos a fé! Prossigamos a missão! Juntos, com a comunidade internacional e o valente povo haitiano, vamos recomeçar”, afirmou o comandante militar em sua mensagem de condolências.
“Mensageiros da esperança”
Integrante das forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o boina azul e ex-missionário Paulo Izaias de Macedo, 77 anos, classificou como “heróis” os soldados brasileiros mortos durante o terremoto da última semana no Haiti. Ao afirmar que os militares atuaram como “mensageiros da esperança” para o povo haitiano, Izaías resumiu a dor daquele que perde companheiros de causa: “contra a fatalidade não há defesa”.
“Os militares brasileiros que estão lá são heróis mesmo, indubitavelmente. Uma esperança foi montada por todos esses militares”, disse, ao participar do velório e da cerimônia de honras fúnebres dos 18 soldados mortos em consequência dos tremores de terra.
Terremoto
Um terremoto de magnitude 7 na escala Richter atingiu o Haiti nessa terça-feira, às 16h53 no horário local (19h53 em Brasília). Com epicentro a 15 km da capital, Porto Príncipe, segundo o Serviço Geológico Norte-Americano, o terremoto é considerado pelo órgão o mais forte a atingir o país nos últimos 200 anos.
Dezenas de prédios da capital caíram e deixaram moradores sob escombros. Importantes edificações foram atingidas, como prédios das Nações Unidas e do governo do país. Estimativas mais recentes do governo haitiano falam em mais de 200 mil mortos e 75 mil corpos já enterrados. O Haiti é o país mais pobre do continente americano.
Morte de brasileiros
A fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Organismo de Ação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Zilda Arns, o diplomata Luiz Carlos da Costa, segunda maior autoridade civil da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti, e pelo menos 18 militares brasileiros da missão de paz da ONU morreram durante o terremoto.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e comandantes do Exército chegaram na noite de quarta-feira à base brasileira no país para liderar os trabalhos do contingente militar brasileiro no Haiti. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil anunciou que o país enviará até US$ 15 milhões para ajudar a reconstruir o país. Além dos recursos financeiros, o Brasil doará 28 t de alimentos e água para a população do país. A Força Aérea Brasileira (FAB) disponibilizou oito aeronaves de transporte para ajudar as vítimas.
O Brasil no Haiti
O Brasil chefia a missão de paz da ONU no país (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, ou Minustah, na sigla em francês), que conta com cerca de 7 mil integrantes. Segundo o Ministério da Defesa, 1.266 militares brasileiros servem na força. Ao todo, são 1.310 brasileiros no Haiti.
A missão de paz foi criada em 2004, depois que o então presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto durante uma rebelião. Além do prédio da ONU, o prédio da Embaixada Brasileira em Porto Príncipe também ficou danificado, mas segundo o governo, não há vítimas entre os funcionários brasileiros.
Terra
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