Lula define os rumos do PT para 2022 em encontro com Alckmin na casa de Haddad

PUBLICIDADE

Em meio à construção eleitoral para o pleito de outubro deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem deixando à mostra suas cartas para ajudá-lo na disputa. Além de juntar novos nomes em seu baralho de alianças, como os governadores petistas Wellington Dias, do Ceará, e Rui Costa, da Bahia, e Flávio Dino (PSB), no Maranhão, Lula direciona aqueles que devem ficar no bolo de descarte.

Neste xadrez eleitoral que se forma na esquerda, Lula se encontrou ontem (12) novamente com o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) na casa do ex-prefeito de São Paulo e postulante ao Palácio dos Bandeirantes Fernando Haddad, na sexta à noite, para discutir a chapa presidencial que deve ser anunciada em março.

Entre os descartes de Lula, o petista afirmou que a ex-presidente Dilma Rousseff não deve fazer parte de um eventual governo em 2023. Aliados do presidente também deram a entender que nomes como Guido Mantega e José Dirceu devem ficar longe do comando de ministérios.

Entre os mais próximos de Lula, a tendência é afastar quadros que possam ser explorados por adversários a ponto de atingir a campanha. Os pontos principais são falhas na Economia, puxada por Mantega, e corrupção, por Dirceu. No caso de Dilma, além dos fatores citados, o impeachment sofrido por ela em 2016, por crime de responsabilidade, é outro fator que pode pesar contra Lula e aumentar sua rejeição.

“Maior que o próprio PT”, como disseram políticos e especialistas, Lula tenta preservar sua campanha e usar o “lulismo” ao máximo. Segundo o cientista político André Felipe Rosa, alguns programas iniciados pelo ex-presidente no passado geraram a ele uma imagem destacada do partido para alguns eleitores.

“O eleitor do Lula viu o filho se formando na faculdade com Prouni, Fies, em vagas em federais criadas na gestão dele. Teve gente com carreira internacional no Ciências Sem Fronteiras, o próprio Bolsa Família. É o chamado voto de gratidão, quando o eleitor tem o sentimento que foi diretamente beneficiado por um ator político. Por isso, pode-se dizer que existe um lulismo muito forte, de um eleitor que é lulista, mas não é petista e que, às vezes, tem até mais ressalvas contra a legenda”, explicou.

Apesar da sinalização de não dar espaço em seu eventual governo aos tradicionais caciques do PT, alguns petistas “raiz” devem permanecer próximos a Lula em um eventual governo. A presidente do partido e deputada federal Gleisi Hoffmann (RS), o senador e ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PE) e o deputado federal Reginaldo Lopes (MG), que assumiu a liderança do governo na Câmara, são alguns dos nomes que devem continuar fortes em um eventual governo.

Resistência

Por mais que os caminhos apontem que a palavra final sobre os rumos do PT e da campanha ao Planalto será majoritariamente de Lula, ainda há resistências com relação a alguns movimentos do ex-mandatário. Um exemplo é a possível chapa Lula-Alckmin, que conta com a rejeição de nomes como o deputado federal Rui Falcão e até mesmo a ex-presidente Dilma, que o comparou a Michel Temer.

Já Lula e a ala petista que concorda com a aliança preferem relacioná-lo a José Alencar, vice-presidente dos governos petistas entre 2003 e 2010. Alencar era do PL (hoje partido de Bolsonaro) e também enfrentou muita desconfiança de uma ala da legenda, mas Lula bancou e a parceria foi bem sucedida.

Segundo o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, especialista em opinião pública, a movimentação para atrair Alckmin já vem sendo positiva antes mesmo de ser concretizada por ter diminuído as menções a Lula como um candidato radical.

“Foi o movimento mais ousado e surpreendente desta pré-campanha. Se nós prestarmos atenção, já houve um efeito inicial dessa cogitação da chapa Lula-Alckmin. Diminuiu muito o volume das menções na imprensa ao radicalismo de Lula. Um candidato radical de esquerda não convidaria Geraldo Alckmin para vice. Isso tem uma importância simbólica muito forte e conta pontos para a candidatura do ex-presidente Lula”, destacou.

O ex-tucano precisa ainda escolher qual será seu partido entre os futuros federados (PV, PSB e PCdoB). No caso do PSB, sua eventual filiação esbarra no ex-governador e pré-candidato ao governo paulista Márcio França — que não foi convidado para o jantar.

Para Alckmin, há a saída pelo PV, um nanico ao centro que condiz com o perfil do ex-governador, já que ele não seria aceito no PCdoB. A decisão deve ser tomada até 2 de abril, fim do prazo para as filiações.

Da Redação com Correio Brasiliense

Últimas notícias

Com apoio de Ruy Carneiro, Napoleão Laureano implanta sistema de energia solar

Equipamentos vão trazer economia de mais de R$ 100 mil por mês. O Hospital Napoleão…

24 de abril de 2026

Açude de Boqueirão ultrapassa 50% da capacidade e reforça abastecimento de Campina Grande

O Açude Epitácio Pessoa, conhecido como Açude de Boqueirão, atingiu 50,08% de sua capacidade nesta…

24 de abril de 2026

Chuvas em João Pessoa ultrapassam média histórica em 63,43%

João Pessoa registrou 385,2 milímetros (mm) de chuvas neste mês de abril, até quinta-feira (23).…

24 de abril de 2026

Quase 2 mil vapes apreendidos: Polícia Civil prende dois em flagrante em operação

A Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), realizou,…

24 de abril de 2026

Cícero surpreende e não descarta voto em João Azevedo para o Senado: “Diálogo que a gente tem construído com Léo”

Mesmo após romper com a base governista ao lançar sua pré-candidatura ao Governo do Estado,…

24 de abril de 2026

São João de JP terá Mara Pavanelly, Cavalo de Pau e Raphaela Santos; confira programação

João Pessoa se prepara para viver mais de 40 dias de uma extensa programação de…

24 de abril de 2026