Declaração foi feita antes da participação do petista no ato realizado por apoiadores na Avenida Paulista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, neste domingo (11), a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de derrubar o canal do WhatsApp chamado “Exército do Lula”.
A declaração foi feita antes da participação do petista no ato realizado por apoiadores na Avenida Paulista, no centro de São Paulo.
“Eu acho um absurdo. Acho que os nossos advogados vão ter que entrar com um pedido de explicação ao presidente da Corte Eleitoral, porque há alguns dias eu estou percebendo que há muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura. Nós não vamos permitir que seja fechado um canal que está pedindo para as pessoas que querem votar em mim para participar de um canal do Exército Lula”, disse Lula.
O petista afirmou que não é possível que o presidente da Justiça Eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano de permitir que as eleições fluam sem interferência do Judiciário.
“Eu vejo que nas redes sociais nós estamos ganhando o jogo. Eu sei que o nosso povo está muito ativo, está trabalhando demais, está postando muita coisa é por isso que eu estou desconfiado do comportamento da Corte Eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa”, destacou.
“Nós vamos hoje entrar na justiça com o pedido do nosso partido, da nossa força, para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar a intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição”, finalizou.
Entenda
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, determinou a suspensão imediata do canal de transmissão chamado ‘Exército do Lula’ no WhatsApp. Criado e administrado pelo deputado federal André Janones (Avante-MG), o canal contava com 3,2 milhões de seguidores e operava como uma central de mobilização política nas redes sociais.
A decisão judicial foi proferida no âmbito de uma petião movida pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), e fixou o prazo de 3 horas para que a Meta (representante legal do WhatsApp no Brasil) cumpra o bloqueio do canal sob pena de multa.
A ação foi apresentada à Presidência do TSE com fundamento na legislação eleitoral, que exige das grandes plataformas digitais a entrega e o cumprimento de planos de conformidade para combater a desinformação durante o período eleitoral.
Segundo os documentos anexados ao processo, o canal ‘Exército do Lula’ apresentou um crescimento exponencial:
10 de outubro de 2026: alcançou 3,2 milhões de seguidores, ostentando selo de verificação da plataforma.
A campanha de Flávio argumentou que formalizou centenas de denúncias ao WhatsApp contra o ‘Exército do Lula’ por meio dos canais oficiais da plataforma, sem que nenhuma providência concreta fosse adotada dentro do prazo de 24 horas prometido no plano de conformidade da empresa. Diante da omissão da plataforma, acionou diretamente a Presidência do TSE para exigir o cumprimento das regras de compliance.
A decisão do TSE detalha a forma de atuação do canal, caracterizada pelo ministro Nunes Marques como uma estrutura de “comando único” voltada para a réplica massiva de narrativas políticas e desinformação:
- Ordens de engajamento sem reflexão: transmissões e áudios gravados por André Janones instruíam abertamente os seguidores a “só obedecer”, agindo “igual um robô” para tentar “controlar a narrativa no país inteiro”.
- Manipulação de algoritmos: em mensagens direcionadas ao público, o administrador orientava os usuários a curtir, comentar e compartilhar publicações “antes mesmo de assistir”, para forçar os algoritmos das redes sociais (como o X e o Instagram) a entregarem o conteúdo a mais pessoas. Em 10 de outubro, uma convocação do canal colocou a hashtag #EXERCITODOLULAEMCAMPO no topo dos assuntos mais comentados no Brasil em apenas 9 minutos.
- Burlar travas do WhatsApp: para contornar os limites técnicos de encaminhamento de mensagens do aplicativo (limitado a 5 conversas por vez e com aviso de “mensagem altamente encaminhada”), Janones orientava os seguidores a copiar o link e o texto e colar diretamente em seus grupos. Foram disponibilizados modelos de texto no formato “Oi amiga, bom dia!” e “Bom dia grupo!!!”, fazendo com que o conteúdo circulasse como se fosse uma mensagem pessoal de um contato próximo.
- Apagamento sistemático de mensagens: a instrução no canal incluía apagar os conteúdos e orientações após a execução das “missões” diárias. Somente no dia 7 de outubro, foram registradas 73 mensagens apagadas após atingirem centenas de milhares de encaminhamentos, com o objetivo de dificultar a fiscalização e a rastreabilidade.
- Divulgação de fatos sabidamente falsos: o canal replicou reiteradamente conteúdos que a própria Justiça Eleitoral já havia declarado falsos em decisões anteriores contra o próprio deputado, incluindo: A alegação de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida;Imputações de envolvimento do candidato com milícias e crimes; Afirmações falsas de que a oposição iria cortar o Benefício de Prestação Continuada (BPC), reduzir aposentadorias ou cancelar o reajuste do Bolsa Família.
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