Senador eleito considerou precoce a antecipação do debate sobre a Mesa Diretora e afirmou que o segundo biênio ficou em aberto; PSB discutirá posição com seus três deputados estaduais.
O senador eleito João Azevêdo (PSB) admitiu que houve um acordo político para que o Republicanos comandasse a Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) no primeiro biênio da próxima legislatura, mas fez ponderações sobre os limites desse entendimento. Segundo ele, as conversas ocorreram durante sua gestão à frente do Governo do Estado, enquanto a definição para o segundo biênio permaneceu em aberto.
A declaração foi dada na tarde desta segunda-feira (19), durante entrevista ao programa Arapuan Verdade. Na ocasião, João Azevêdo também criticou a antecipação das articulações em torno da disputa pela presidência da Casa, que já envolve nomes como os deputados Wilson Filho e Eduardo Carneiro.
“Na minha lógica, teve. Teve, sim, para esse primeiro biênio. O segundo biênio ficou ainda em aberto”, afirmou o senador eleito, ao ser questionado diretamente sobre a existência do acordo.
João Azevêdo explicou que as conversas sobre a possibilidade de o Republicanos assumir a presidência da Assembleia ocorreram antes das eleições para deputado estadual, quando ainda não se conhecia a composição da futura legislatura.
“Houve conversas nesse sentido e sempre foi colocada essa possibilidade. Eu estava em reuniões, claro, em que foi colocada essa questão e que o Republicanos, inclusive, abriria mão da vice, dando preferência à Assembleia Legislativa”, relatou.
Apesar de reconhecer o entendimento para o primeiro período, ele ponderou que a negociação ocorreu sem que os parlamentares que integrariam a nova legislatura tivessem sido eleitos. Para João Azevêdo, essa circunstância levanta questionamentos sobre a legitimidade de compromissos assumidos em nome de deputados sem a participação direta deles.
“Não é a vontade do presidente de um partido. Você pode ter o seu posicionamento”, declarou.
O senador eleito também mencionou questionamentos de parlamentares sobre a possibilidade de acordos envolvendo votos e apoios terem sido firmados sem que eles fossem consultados.
Ao comentar o lançamento de nomes para a disputa pela presidência da ALPB, João Azevêdo defendeu que as articulações sejam deixadas para um momento posterior às eleições deste ano. Na avaliação dele, a prioridade política do grupo deve ser a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Eu acho que antecipar essa questão não foi bom. Não foi bom para ninguém, não foi bom para o deputado Eduardo, não foi bom para o deputado Wilson. Eu acho que não deveria ter acontecido, mas aconteceu”, afirmou.
Para o presidente estadual do PSB, a discussão sobre a Mesa Diretora deve ganhar força depois do encerramento do atual processo eleitoral. Ele reconheceu, porém, que o debate já se tornou público e que não há como ignorar as articulações em andamento.
João Azevêdo informou ainda que o PSB já mantém conversas internas com os três deputados estaduais eleitos pela legenda para definir o posicionamento do partido na eleição da Mesa Diretora.
“Não, nós estamos conversando com os três deputados a respeito disso já. Nós estamos conversando internamente e vamos tomar uma decisão coletiva, claro”, declarou.
A manifestação indica que o PSB ainda não fechou uma posição definitiva sobre a disputa. A legenda deverá considerar a avaliação dos parlamentares de sua bancada antes de definir como atuará nas negociações.
Com o reconhecimento de que houve entendimento para o primeiro biênio, mas não para o segundo, a declaração de João Azevêdo acrescenta um novo elemento à disputa pelo comando da Assembleia Legislativa da Paraíba e evidencia que a interpretação dos acordos políticos deverá estar no centro das articulações para a próxima legislatura.
PB Agora
