Um dos reforços mais aguardados do PEN na Paraíba decidiu não aceitar o convite do partido e permanecer na sigla onde estava. Na manhã de ontem, o líder governista Hervázio Bezerra anunciou que vai permanecer no PSDB, apesar de ter sido convocado pelo presidente Ricardo Marcelo para ingressar na nova legenda. A chegada de Hervázio tornaria ainda mais expressiva a bancada recém-criada, que conta nove deputados estaduais e um suplente.
O ninho tucano na Assembleia Legislativa por pouco não ficou menor do que estava. A saída de Ricardo Marcelo e João Gonçalves do PSDB já havia reduzido a bancada do partido pela metade e o prejuízo poderia ser ainda maior, caso o lobby para levar Hervázio Bezerra fosse bem sucedido. Não foi. Depois de deixar a dúvida no ar por alguns dias, o líder da situação acabou decidindo por permanecer onde estava.
A questão foi resolvida nos momentos finais. Por marcar os 30 dias da criação do partido, o dia de ontem foi o último possível para filiações de políticos sem prejuízo ao seu mandato. A partir de hoje, quem migrar para a legenda corre o risco de sofrer ações de pedido de mandato pelas suas antigas "casas". “Eu estou decidido. Escutei muita gente e acredito que o melhor é permanecer no PSDB”, relatou Hervázio.
Na indecisão, toda orientação é bem vinda. E o deputado buscou quem pôde. “Conversei com amigos, familiares e membros da minha base política. A maioria deles me aconselhou a seguir no partido e foi isso que me convenceu”, afirmou. Até ontem o deputado esteve tentado. Presente na coletiva que anunciou a bancada do PEN e a composição de parte do diretório, ele chegou a discursar afirmando estar balançado pela ideia.
“É a criação de um novo partido, de um novo grupo, o que representa uma nova opção. Recebi o convite do deputado Ricardo Marcelo e é possível que eu venha a fazer parte desse projeto. Vamos dar continuidade às conversas e ver qual é o melhor caminho”, dizia o deputado na oportunidade. Além dele, cerca de dez deputados de outras legendas prestigiaram o evento.
Apesar de quase ter mudado de partido, o parlamentar garantiu que nunca esteve disposto a mudar de postura. Comandando os interesses do Governo na Assembleia, ele garantiu que a movimentação partidária em nada trará prejuízos a sua bancada. “Cheguei a temer por isso inicialmente, mas já conversei com diversos deputados que mudaram de legenda e eles me garantiram que não vão deixar a base do Governo”, explicou.
Além do PSDB, que perdeu Ricardo Marcelo e João Gonçalves, outros partidos ficaram desfalcados. O PSL perdeu o Aníbal Marcolino e o suplente Mikika Leitão. No PSB, a baixa foi o vice-presidente da Casa, Edmilson Soares. O Democratas não conta mais com José Aldemir e Branco Mendes. Já o PPS e o PTN ficaram sem Janduhy Carneiro e Toinho do Sopão, respectivamente.
Mais adesões
Elevando para dez o número de parlamentares na nova sigla, Wilson Braga (ex-PSD) anunciou sua chegada no grupo liderado por Ricardo Marcelo. Com a decisão, o PSD passa a ter uma das menores bancadas da Casa, contando apenas com a deputada Eva Gouveia. Ao chegar no Estado como uma novidade, o PSD formou uma bancada representativa na Assembleia, contando com três deputados. O surgimento do PEN, no entanto, reduz esse número para um. Além de Wilson, outro deputado que integrava a sigla já procurou novos rumos. Trócolli Júnior deixou os quadros e se filiou ao PMDB, de onde havia saído no ano passado.
Galdino: PEN não preocupa o Governo
O secretário chefe do Governo do Estado, Adriano Galdino, afirmou que a criação do PEN com uma superbancada na Assembleia Legislativa não preocupa a gestão de Ricardo Coutinho. De acordo com o gestor, o Governo recebe com total tranquilidade a movimentação que tem ocorrido na casa legislativa e tem certeza de que os deputados da bancada de situação não vão mudar de postura.
“O Governo recebe com naturalidade. Estamos tranquilos com relação ao PEN e focados unicamente nos projetos para o desenvolvimento da Paraíba”, afirmou. De acordo com Galdino, Ricardo Coutinho tem prezado pelo respeito à independência da Assembleia. “O Estado respeita a ALPB em sua forma de agir e procura evitar qualquer tipo de interferência com relação àquela Casa e aos deputados”, garantiu.
Sobre a possibilidade de perdas na bancada de situação, o que tornaria ainda mais difícil a aprovação de matérias de interesse do Governo, Adriano garantiu que existe confiança por parte da gestão nos deputados que compõem a sua base. “Os deputados dizem que continuam leais à bancada do Governo e nós acreditamos nisso. As divergências que eles possuíam eram internas em seus partidos e não com o Governo”, disse.
Adriano, que está licenciado da ALPB, garantiu que não existe qualquer conversa para que ele retorne à Casa. O retorno poderia ocorrer para reforçar a bancada do PSB, que agora conta apenas com a deputada Léa Toscano. “Estou na Casa Civil a convite de Ricardo, mas não teria problemas em voltar à Assembleia”, afirmou.
Correio da Paraíba
