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Gilvan e Abílio: combinados para romper?

Tem algo coisa de podre no reino da Dinamarca. A frase ficou imortalizada na obra indefectível do majestoso escritor inglês Shakespeare e, na Paraíba, pode ser simplesmente traduzida como: Tem caroço nesse angu.

É assim, inclusive, que têm reagido alguns setores tanto do PMDB quanto do PSB diante da repentina mudança de posição do ex-deputado Gilvan Freire, porta-voz do PTB, quanto ao projeto do prefeito Ricardo Coutinho, de quem foi um dos precursores da aliança.

É estranho, avaliem, que essa mudança de Gilvan Freire, mais achegado ao projeto do PMDB, não tenha provocado nenhuma represália interna ou declaração mais contundente de Armando Abílio contra o colega. É a divergência partidária mais pacífica da Paraíba. E freio na língua é algo que o atual presidente do PTB paraibano pode se gabar.

A grande pergunta: por que Armando Abílio silenciou e acatou quase como uma Amélia partidária a aproximação de Gilvan Freire ao projeto do PMDB, almoçando com Veneziano, jantando com Maranhão e fazendo charme sobre filiação no novo partido?

Postura muito diferente do que Abílio adotou, por exemplo, com o suplente de senador Carlos Dunga, que até bem pouco tempo não podia ouvir falar na aliança do PTB com o prefeito Ricardo Coutinho.

Fica no ar, portanto, o cheiro de combinação pelo qual Gilvan Freire, hoje mais próximo do projeto do governador Maranhão, levaria o PTB para uma alternativa e Armando Abílio, presidente da legenda, para outra. Em suma, devidamente combinados, Gilvan e Armando decidiram se “separar” a fim de fazer com o PTB possa lá na frente avaliar qual projeto é melhor desembarcar de vez.

Coisa de mestre…

 

P.S: Depois de concluída a coluna, o colunista recebe a informação de que Armando Abílio levou para Carlos Dunga o convite do governador José Maranhão em oferecer a Secretaria de Agricultura do Estado para o PTB. Realmente, tem caroço nesse angu.

 

Anti-cassistas ajudam Cássio a voltar em 2010

Quase sem ter consciência, os deputados Manoel Júnior (PSB), Vital o Rego Filho (PMDB), Wilson Braga (PMDB), Wilson Santiago (PMDB) e Luiz Couto (PT), todos adversários do ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), estão pavimentando estrada de retorno do tucano ao governo do Estado em 2010.E fazem isso, certamente inconscientes, ao assinarem e defenderem a badalada PEC do terceiro mandato, que já tramita na Câmara Federal, em Brasília.

Ora, ao imprimirem suas assinaturas na proposta que confere duas reeleições consecutivas, esses “anti-cassistas” contribuem como se aliados fossem para o avanço da legitimidade jurídica que pode levar ao ex-governador Cássio a disputar o governo do Estado novamente.

Parece incoerente também, embora estejam sendo pautados pela orientação nacional, que os deputados Efraim Filho (DEM), Rômulo Gouveia (PSDB) e Major Fábio (DEM), aliados ao ex-governador, estejam sendo contrários à PEC do terceiro mandato.

Neste caso, em suma, os adversários estão ajudando mais do que os aliados.

 

Precedente petista

Petistas mais afeitos ao projeto de composição com o prefeito Ricardo Coutinho estão empenhados em derrubar a tese, encabeçada pelo vice-governador Luciano Cartaxo, de que é equivocada a antecipação do lançamento das candidaturas e alianças têm reunido precedentes de todo o país.

Eles listaram manifestos do PT em Minas Gerais em favor da candidatura de Patrus Ananias, do Rio Grande do Sul em favor da candidatura de Adão Vilaverde e, inclusive, o manifesto dos deputados federais em favor da candidatura de Dilma Roussef.

E perguntam: por que Luiz Couto não pode?
 


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