A Folha de S.Paulo contestou na última quinta-feira (10) o pedido de direito de resposta apresentado pelo senador e candidato à reeleição Veneziano Vital do Rêgo (MDB) no Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Na manifestação enviada à Justiça Eleitoral, o jornal defendeu a reportagem publicada sobre recursos destinados à BR-230 e afirmou: “Jornalismo não existe para adular candidatos.”
A matéria trata de R$ 210 milhões em emendas destinadas por Veneziano para obras da BR-230. A Folha apontou que empresas posteriormente subcontratadas para serviços da obra têm ligações com um ex-funcionário do gabinete do senador. Uma delas rende um capítulo à parte: antes atuava com criação de camarões e peixes e, posteriormente, mudou de nome e passou a incluir atividades relacionadas à construção e sinalização de rodovias.
Veneziano procurou o TRE-PB por considerar que a reportagem estabeleceu uma associação entre a destinação das emendas e as contratações privadas. O senador sustenta que não participa de licitações, não escolhe empresas ou subcontratadas, não autoriza pagamentos e não interfere na fiscalização dos contratos. Também questionou a forma como sua manifestação foi editada pelo jornal.
A Folha rejeitou a acusação de omissão seletiva e defendeu que os esclarecimentos do parlamentar foram incluídos na reportagem. O veículo argumenta que não houve publicação de informação inverídica, caluniosa, difamatória ou injuriosa e pede que o direito de resposta seja negado.
O jornal sustentou a importância da liberdade de imprensa durante o processo eleitoral: “A livre imprensa exerce papel fundamental em nosso Estado de Direito. O direito de informar e de ser informado é essencial na democracia, principalmente para a legitimidade do processo político. Os partidos políticos e os candidatos devem respeitar a Constituição Federal e a liberdade de imprensa. Jornalismo não existe para adular candidatos.”
Redação
