As campanhas de Flávio e Lula são fortemente voltadas para os indivíduos. Tanto pela linguagem quanto pela postura, os dois falam diretamente ao indivíduo sozinho. Flávio diz: “você que me assiste, eu vou fazer…”. Lula afirma: “meu governo fez o programa para você…”.
A relação é sempre: Estado -> indivíduo. Pouco se fala sobre as estruturas da sociedade civil e sua baixa capacidade de integração dos indivíduos. Pior. Flávio e Lula contribuem, constantemente, para fragmentar e enfraquecer ainda mais o tecido social. A linguagem bélica é: “o lado dele quer…”.
Há uma desordem política na sociedade civil aprofundada por Flávio e Lula. No Brasil, a capacidade de confiança entre as pessoas e as comunidades é historicamente baixa. E o custo é que o brasileiro olha para si, olha para o Estado, mas não olha para o outro.
Qual é a consequência desse estado de coisas? Veja o atual caso da França. Tocqueville, no século XIX, dizia que o liberalismo francês é fortemente individualista e despreocupado com o organismo social. Na França, quando as pessoas se irritam, elas culpam o Estado e destroem o resto da sociedade civil. Foi assim na Revolução Francesa, e é assim hoje.
Independentemente de quem vença, o Brasil tem um futuro difícil. O Estado, além de ineficiente, dá mostras que pode falhar sistematicamente devido a seu alto endividamento. Qual é a consequência? Um salve-se quem puder. Não há uma sociedade civil com um tecido social forte para as pessoas e comunidades se ajudarem.
As pessoas estão brigando por Flávio e Lula que, me parecem, nem têm um diagnóstico correto. Como podem ser bons governantes para indicar o caminho da cura? Precisamos de uma visão política em que traga de volta à importância das virtudes para a cidadania e que o Estado apoie as comunidades e incentive à fraternidade.
Anderson Paz
