Alto funcionário da entidade, Rafael Salguero revela que estádio tem problemas, mas admite que ainda existem chances de reviravolta no caso
Comentários 6EmailImprimirTwitterFacebookDeliciousDiggNewsvineLinkedInLiveRedditTexto – + JAMIL CHADE – Agência Estado
O Comitê da Fifa que lida com a preparação da Copa do Mundo de 2014 decidiu “suspender por enquanto” a participação do Morumbi no Mundial. Pela primeira vez, um alto funcionário da cúpula da Fifa confirmou que o Estádio do Morumbi está ameaçado e que o assunto foi alvo de debates nos últimos dias em Johannesburgo.
A informação foi passada à Agência Estado com exclusividade pelo membro do Comitê Executivo da Fifa, Rafael Salguero, que admite que a decisão da suspensão não é definitiva.
Horas depois, tentando evitar a polêmica, Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa, insistiu aos jornalistas internacionais que nem se falou da Copa de 2014 nos últimos dias em Johannesburgo e que a Fifa não tem planos de excluir o Morumbi da Copa. Nesta quinta-feira, a Fifa aprovou os números que indicam que a Copa no Brasil será a de todos os recordes, tanto em termos de receitas como gastos. Os números haviam sido antecipados em março pela Agência Estado. Mas o que preocupa a Fifa é o calendário de obras no Brasil e principalmente a situação do Morumbi.
“Por enquanto, decidiu-se que o Morumbi está suspenso da Copa”, afirmou com exclusividade Rafael Salguero, um dos 24 membros do seleto grupo de cartolas do Comitê Executivo da Fifa. É o órgão o responsável pelas decisões na Fifa e seus membros são escolhidos a dedo. Salguero é ainda um dos membros do Comitê de Organização da Copa de 2014, instância onde o Morumbi foi considerado como “suspenso”.
Salguero, que entrou no Comitê em 2007 e é o atual vice-presidente da Concacaf (Confederação Norte-Americana e Centro Americana de Futebol), admite que a decisão ainda não é final e que existe espaço para uma reviravolta, ainda que mínima. A suspensão seria o primeiro passo de uma eventual exclusão do estádio do São Paulo. “A suspensão foi decidida por conta do projeto”, disse o guatemalteco, membro do Comitê de Apelação da Fifa.
Ao contrário do que a direção da Fifa afirma, o tema da Copa de 2014 e a situação dos estádios foi alvo de reuniões nesta semana em Johannesburgo. Ricardo Teixeira, presidente da CBF, deu garantias à Fifa de que haveria dinheiro público para bancar os estádios. Nicolas Leoz, presidente da Conmebol e membro da Fifa, indicou que uma definição dos estádios precisa ser estabelecida até setembro e um calendário final dos jogos até dezembro. “Não há ainda uma definição sobre os estádios”, confirmou o paraguaio.
Como a Agência Estado antecipou há dois dias, a Fifa ainda decidiu criar um fundo de investimentos de US$ 470 milhões (aproximadamente R$ 847 milhões) para pagar pelos custos do Comitê Organizador da Copa de 2014, modificando a forma de garantir a receita para o Brasil. A proposta inicial era de que o País receberia US$ 200 milhões (cerca de R$ 360 milhões) e o restante viria da venda de ingressos.
Mas Valcke confirmou que a Fifa optou por retomar o controle sobre a venda das entradas, depois das confusões com os ingressos na África do Sul. “Seria um erro não aprender lições”, disse. A receita das entradas ficará com a Fifa.
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