O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Augusto Schröder, alerta que a violência contra jornalistas no Brasil é maior entre os profissionais que cobrem a área política. Ele foi entrevistado pela Rádio Brasil Atual para comentar o assassinato do maranhense Décio Sá, assassinado em São Luís na noite da segunda-feira (23).
Schröder afirmou que 60% dos casos de violência contra jornalistas atingem mais esse tipo de profissional. “O que agrava a situação é que esse jornalista tinha um trabalho prioritário na área de política e isso tem sido um sintoma preocupante”, afirmou.
Segundo ele, quatro jornalistas foram assassinados no país nos últimos 12 meses. O dirigente citou ainda que um projeto de lei, do deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), propõe a federalização dos crimes contra os jornalistas. “Quando os crimes não forem investigados, nem julgados, em um período de 90 dias, que a União possa trazer a si essa investigação através da polícia federal com julgamento nas cortes federais.”
O presidente da federação encaminhou pedido de audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, para discutir o problema. “Unindo forças teremos uma reação de Estado, da sociedade e assim sairemos desse incomodo ranking que começa a constituir-se.”
Impunidade
A morte de Décio Sá, que trabalhava há 17 anos no Sistema Mirante de Comunicação e tinha um dos blogs mais acessados no Maranhão, causou revolta e indignação entre os colegas. O também jornalista Emilio Azevedo, do jornal maranhense ‘Vias de Fato’, afirmou à Rádio Brasil Atual que os assassinatos acontecem naquele estado porque os crimes não costuma ter repercussão nacional. “Assassinar índios, quilombolas, sem-terra é comum e a imprensa quase não registra. No ano passado tocaram fogo no acampamento de um índio, mas o caso nunca foi apurado devidamente”,
Mesmo sendo funcionário do grupo Sarney, Décio muitas vezes fazia denúncias contra integrantes do próprio grupo. Segundo Azevedo, o que aconteceu com o colega é reflexo do ambiente pouco civilizado da região. “É difícil trabalhar com a realidade aqui. Nessa região só prevalece a barbárie.”
Agência Brasil
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