Foi voz corrente na Paraíba o clima de tranqüilidade desta campanha eleitoral, no primeiro turno. O paraibano, de postura tão esquentada quando o assunto é política, esteve tranqüilo, neste ano. Pensava que, das duas, uma: ou houve uma mudança de comportamento mesmo, ou alguém estava com medo de colocar as ‘asinhas’ de fora.
Veio o segundo turno e aí começaram os problemas entre os rivais da política. Foi aí que percebi que minha esperança de ver uma Paraíba modificada estava se esvaindo e que eu tinha que aceitar a segunda hipótese por mim mesmo levantada: a campanha no primeiro turno foi calma porque não havia expectativa de vitória em um dos grupos, o de Ricardo/Cássio.
Esta não expectativa de vitória por parte dos Ricardistas/Cassistas explica, por exemplo, a quase que total inexistência de material de campanha de Ricardo nas ruas, no primeiro turno. Quem andou pelas cidades do Sertão, Cariri, por Campina Grande e por João Pessoa, como eu andei, nesta campanha, sabe do que eu estou falando. É por isso que, até hoje, há questionamentos do por que dos votos que Ricardo obteve, se as pessoas só viam o vermelho nas ruas.
A explicação é clara. Como não havia expectativa de vitória para Ricardo, seus eleitores estavam acuados. Podem até ter recebido material de campanha, mas não tinham motivação alguma para expô-los. E tiveram: ainda na noite do domingo, dia 3 de outubro, após a apuração dos votos do primeiro turno, os girassóis pipocaram em adesivos de carros, bandeiras, etc, etc, etc.
Neste segundo turno, do alto de uma votação que superou os votos de José Maranhão – o que, convenhamos, quase ninguém esperava que ocorresse – eis que houve uma inversão: os Ricardistas passaram a ‘donos da situação’ e, por conseguinte, a ‘falar alto’ também, quando o assunto é quem vai ganhar a eleição.
Só que, sinceramente, não esperava que de ‘fala alta’ a coisa tomasse outras proporções. A agressão da qual foi vítima o deputado federal Wellington Roberto (PR), Coordenador Geral da campanha de José Maranhão, na noite do domingo (24) no Restaurante Campina Grill, em Campina Grande, mostra bem o que está ocorrendo hoje na Paraíba.
Até agora só há uma versão para o fato, pois apenas Wellington Roberto permaneceu no restaurante, esperando a polícia chegar. Ele contou, na queixa à Polícia, que estava à mesa com dois vereadores campinenses, que recentemente aderiram a José Maranhão – Marcos Raia e Alcides da Weider. De repente, um grupo de aproximadamente 20 pessoas, ente jovens e adultos (homens e mulheres) entraram no local e, das provocações para a agressão física, foi um pulo.
Dentre os membros do grupo estariam uma filha do deputado estadual Manoel Ludgério e um jovem conhecido como Sancler, que no ano passado foi preso pela Polícia Federal, numa operação para prender rackers que roubavam dinheiro de contas bancárias pela internet, fato que teve repercussão nacional. Após a agressão, o grupo deixou rapidamente o restaurante, enquanto que Wellington ficou à mesa, com os vereadores – Marcos Raia foi ferido na cabeça – esperando a polícia chegar.
Aliás, pensei comigo o seguinte: no grupo de Wellington estava o vereador Alcides da Weider, que é lutador de Jiu-Jitsu ou coisa parecida e quem o conhece sabe que ele tem o porte físico de um verdadeiro guarda-roupa. Se Alcides, forte daquele jeito e com experiência suficiente para atacar ou defender qualquer pessoa (ele é propriet´rio de uma empresa de segurança, a Weider Segurança), ficou imóvel, é porque o grupo agressor era muito grande mesmo…
Voltando um pouco nos acontecimentos, na sexta-feira (22), José Maranhão visitou oito cidades, onde fez comícios e carreatas e, de passagem por Pocinhos, Puxinanã e Montadas, foi hostilizado nas ruas – o que, de passagem, não se viu no primeiro turno. Eu presenciei os atos obscenos, as palavras provocativas e as tentativas de agressão, contidas por Policiais Militares, nestas três cidades.
Aliás, foi muita coincidência ver, nas três cidades, pessoas terem tanto material de campanha de Ricardo guardado em casa, para sair às ruas, numa carreata, todos com camisas padronizadas na cor laranja, com faixas grandes e outros materiais de campanha. Evitei comentar este assunto aqui para evitar, também, que isso servisse de combustível para futuras provocações – até de maiores proporções. Mas não foi o suficiente e eis que, neste domingo, a intolerância passou dos limites.
Tudo isso explica aonde eu quero chegar: o título resume o que acabo de relatar. A expectativa de vitória por parte da militância de Ricardo/Cássio gerou um clima de guerra, o que passa a ser preocupante, nesta campanha. E, agora, mais ainda, pois há revolta também pelo fato de a Justiça ter barrado a candidatura de Cássio ao Senado, o que provocou-lhe a perda de um possível mandato.
Cabe agora, às polícias Militar, Civil e Federal, ao Exército – que estará nas ruas, mais uma vez, neste segundo turno – e à própria Justiça Eleitoral, a quem cabe fiscalizar a movimentação nas ruas, o cuidado redobrado com o que possa vir a acontecer. Pelo bem de uma Paraíba de Paz.







