Categorias: Política

Ex-presidente chama de oportunistas os que reclamam do reajuste do mínimo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participa como convidado do 11° Fórum Social Mundial, em Dacar, Senegal, criticou as centrais sindicais que questionam o aumento do valor do salário mínimo. Lula classificou a categoria de “oportunista” e cobrou ainda que seja cumprido o acordo firmado pelo governo, que reajusta o piso a partir da soma do índice de inflação do ano anterior à variação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás — o que, este ano, elevaria o mínimo para R$ 545.

Para justificar as críticas, o ex-presidente falou da participação dos sindicatos nos debates sobre o acordo com o Ministério da Previdência, no ano passado, que resultou na fórmula atual de cálculo do mínimo. “Isso foi um acordo feito com os dirigentes sindicais. Foi combinado que o reajuste seria feito com base no PIB e na inflação até 2023 para que a gente pudesse recuperar definitivamente o salário mínimo”, disse.

Lula não comentava o assunto há mais de um mês, mas, na saída do hotel em que se encontrou com o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, falou com os jornalistas presentes e demonstrou sua insatisfação. “O que não pode é nossos colegas sindicalistas quererem a cada momento mudar as regras do jogo. Ou você tem uma regra, aprova na Câmara, vira lei e todo mundo fica tranquilo, ou você fica como oportunista”, reclamou. E completou: “Quando a inflação é maior, você quer antecipar, quando o PIB é menor, você quer antecipar. Se é verdade que neste ano o PIB mais a inflação ia dar zero, no outro ia dar 8%. Então tem a compensação”.

Ele ainda insistiu na participação dos grupos sindicais no acordo de reajuste do mínimo e cobrou uma mudança de postura. “Eu penso que seria prudente que os nossos companheiros sindicalistas soubessem que a proposta não é do governo. A proposta é uma combinação entre todos nós. Eu espero que eles façam acordo”, disse. Lula também rejeitou a possibilidade de atuar como mediador entre representantes do governo e sindicalistas. “Não é tarefa minha conversar. É da Dilma e do Congresso”, destacou.

Secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, que também está em Dacar, compreende a reação dos sindicalistas. “É natural que as centrais queiram um aumento maior que a inflação. A nossa pretensão é R$ 580. Caso não consigamos convencer o governo, vamos levar essa luta para o Congresso e para a sociedade”, alertou.

Enquanto estava no poder, Luiz Inácio Lula da Silva repetia, várias vezes, que precisaria de um tempo para “desencarnar” da Presidência da República antes de dar qualquer palpite sobre o governo de Dilma Rousseff. O processo de desligamento do Executivo foi rápido e, ao que parece, pouco eficaz.

Dois meses após descer a rampa do Palácio do Planalto, Lula vociferou contra os que desafiam sua pupila. E foi justamente contra o meio onde despontou — o sindicalismo — que o petista mirou seus petardos. “Ou você tem uma regra, aprova uma lei e fica todo mundo tranquilo, ou você fica como oportunista”, disparou, referindo-se ao impasse no reajuste do salário mínimo.

Diante de tal reação, os antigos companheiros de centrais sindicais, que brigaram tantas e tantas vezes contra os patrões para garantir um aumento, bem que poderiam dizer: “Desencarna, Lula. Saia desse corpo, que ele já não mais lhe pertence”.

Correio Braziliense

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