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Esquerda forma frente anti-Bolsonaro que pode virar aliança para 2022 na Paraíba

Quem pensar que os partidos de esquerda estão desarticulados entre si, na Paraíba, está enganado. Há mais de dois meses, sete deles – PT, PSB, Psol, PC do B, UP, Rede e o PV- estão engajados num projeto denominado de Unidade Popular Pela Paraíba. Embora esta seja uma articulação para fortalecer a luta pela derrota de Jair Bolsonaro, não está descartada a possibilidade de sua manutenção como uma frente para disputar as eleições de 2022.

É o que fica evidenciado na entrevista a seguir, concedida à coluna pelo presidente do Diretório Estadual do PT na Paraíba, Jackson Macedo. Ele acrescentou que o partido pode até apoiar a candidatura do governador João Azevêdo à reeleição, desde que ele apoie a candidatura de Lula à Presidência da República.

Nesta entrevista, Jackson também fala dos planos e estratégias do PT para as próximas eleições. Na Paraíba, como em todo o Brasil, a prioridade do partido é fortalecer o palanque pró-Lula Jackson Macedo comenta que o PT na Paraíba precisa promover uma renovação dos seus quadros.

Segue a entrevista:

Coluna – O Partido dos Trabalhadores na Paraíba terá candidatura própria para o Governo, ou ficará de coadjuvante?
Jackson Macedo – O PT tem uma estratégia nacional que é priorizar a candidatura de Lula à Presidência da República. Para nós é mais importante vencer para a o Governo Federal, tirar Jair Bolosonaro, devolver o Brasil aos brasileiros, do que eleger os vinte e sete governadores. Então, o PT vai ter candidato a governador onde disputará a reeleição e onde tivermos chance de ganhar. Nos demais Estados, o PT vai negociar para reforçar o palanque de Lula. Na Paraíba dificilmente o PT terá candidato a
governador. Devemos construir um palanque forte para Lula com aqueles que estejam dispostos a apoiar Lula contra Bolsonaro. Então, em 2022 o PT na Paraíba estará com quem estiver apoiando Lula na Campanha presidencial.

Coluna – Qual é o projeto político e eleitoral do PT paraibano, para 2022, pensando também em Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa?
Jackson Macero – Estamos com um grupo de trabalho eleitoral montado, que vai começar a trabalhar na próxima semana. Montamos esse GTE bem antecipado às eleições para dar tempo a gente trabalhar a nossa chapa para deputado federal e deputado estadual.

Coluna – Qual é o maior objetivo na disputa proporcional para o PT da Paraíba?
Jackson Macedo – É manter o nosso mandato de deputado federal. Já temos quatro grandes candidatos à Câmara Federal: Frei Anastácio, que é candidato à reeleição; o ex-deputado Luiz Couto; Rodrigo Soares, que foi deputado estadual duas vezes; professor Márcio Caniello, de Campina Grande. Com essa chapa montada e com os votos de legenda, provavelmente manteremos o nosso mandato de deputado federal, se a
regra atual for mantida. Para a Assembleia Legislativa, estamos mantendo uma chapa com o objetivo de dobrar a quantidade de parlamentares na nossa bancada na Assembleia Legislativa. Temos um deputado – Anísio Maia, que disputará a reeleição – e queremos eleger mais um; tem o vereador Marcus Henrique, que vai disputar uma vaga na Assembleia, além de outras lideranças do interior que estão se colocando no páreo.

Coluna – E para o Senado?
Jackson Macedo – Não temos, ainda, discussão para o Senado. Não temos nome, ainda, que se apresente para uma disputa para senador. Repito: a prioridade é montar um palanque forte com aqueles democratas e com aqueles partidos que estejam em torno do projeto de eleição do presidente Lula.

Coluna – Na condição de presidente estadual do Partido dos Trabalhadores na Paraíba, que leitura faz da participação do PT nas últimas eleições, aqui no Estado?
Jackson Macedo – Avalio que o PT disputou as eleições na Paraíba quando tinha que disputar. Desde a época de Avenzoar Arruda, quando tivemos um bom desempenho na disputa para governador, passando por outros momentos da disputa para prefeito de João Pessoa, o PT disputou quase todas as eleições. Uma vez só apoiamos a candidatura de Ricardo Coutinho, acho que em 2008, mas as outras eleições todas elas nós disputamos com candidato a prefeito na Capital. Vencemos eleição em João Pessoa, já chegamos a ter três a quatro deputados na Assembleia Legislativa e deputados federais. O PT é um partido protagonista na Paraíba. Logicamente que o PT precisa passar por um processo de renovação de quadros; porque nossos quadros são de companheiros que estão na luta desde os anos 80, como Luiz Couto, Frei Anastácio, Anísio Maia. Isso não quer dizer que idade seja limitação para se atuar na política, não é isso. Mas o PT precisa renovar seus quadros e começar a disputar mais fortemente o Estado da Paraíba. Acho que o PT é um partido protagonista, sempre foi, é uma legenda importante, tem força, tem representação. Já teve prefeito de Campina Grande, de João Pessoa, de Cabedelo; os principais quadros da esquerda no Estado passaram pelo PT, como Luciano Cartaxo, Ricardo Coutinho. Então o PT é um partido que sempre figura na linha protagonista. Não é um partido apegado a estruturas, a oligarquias. Porque na Paraíba a política é baseada em dois espaços: o político tem que ter um sobrenome, ou ser vinculado a uma estrutura governamental. O PT, não. O PT é forjado nas lutas dos movimentos sociais e sempre esteve inserido na agenda principal da política local.

Coluna – Existe alguma proposta dos setores de esquerda para que todos partam unidos num projeto visando as eleições de 2022? O PT irá buscar apoios ou apoiará, por exemplo, o PSB? Vai procurar um entendimento com o ex-governador Ricardo Coutinho, ou em função dos episódios da Operação Calvário não se aproximará dele?
Jackson Macedo – Faz quase dois meses que o PT começou, juntamente com outros partidos de esquerda, chamado de Unidade Popular pela Paraíba. Estão participando desse bloco o PT, PSB, Psol, PC do B, UP, Rede e o PV de Luciano Cartaxo. Estamos nos reunindo quase semanalmente. Fizemos uma grande atividade há alguns dias, com a
participação de mais de duzentas pessoas, de forma virtual. Hoje mesmo (quarta-feira, 05.05) tem uma atividade, no turno da noite, para discutir as comunidades tradicionais da Paraíba. A Ideia é a gente continuar conversando. O principal foco desse bloco é o enfrentamento do Governo Bolsonaro. A gente não discute eleição local, ainda. Se isso é um processo que irá terminar numa aliança no ano que vem, que seja; senão, cada um segue sua vida. Mas o PT tem uma boa relação com o PSB; não temos uma elação tão próxima com o PV mas a gente está se reaproximando de Luciano, conversando com ele. Não resta nada de problema por ele ter saído do PT. O mais importante é que esses partidos estão unificados em torno de um projeto comum para derrotar Bolsonaro. Se isso vai ser uma aliança, lá na frente, que seja.

Coluna – Qual é a estratégia prioritária do partido?
Jackson Macedo – Nos temos duas estratégias: fortalecer esse bloco progressista de partidos que têm se reunido, tentar construir uma unidade comum para o ano que vem; e fortalecer o palanque do presidente Lula na Paraíba.

Coluna – E aliança com o governador João Azevedo?
Jackson Macedo – O governador João Azevêdo é candidato à reeleição; o PT tem uma boa relação com ele, de Governo; não participa da gestão, mas apoia o Governo. Nós vamos estar construindo uma aproximação com ele em 2022, mas se ele apoiar a candidatura de Lula. Agora, se o governador João Azevedo estiver numa candidatura opositora a Lula, ai não vamos ter condições de apoiá-lo. Então, o projeto do PT local para 2022 está muito vinculado ao projeto nacional. Vamos construir palanques com quem está disposto a junto derrotar o fascismo, derrotar a direita. Se lá na frente a
estratégia não der certo, se o bloco progressista não conseguir se juntar e não houver a uma relação com João Azevêdo para tê-lo no palanque de Lula o PT pode discutir, sim, uma candidatura própria para governador do Estado. Mas está cedo, ainda.

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