Decreto das armas é considerado retrocesso e prejudica segurança na PB

O recente decreto do Governo Bolsonaro que facilitou o a posse e porte de armas no Brasil gerou críticas de especialistas e de governadores que pediram a revogação do decreto, que amplia o contingente de pessoas que poderiam ter armas pesadas. Para o major Vinícius César, especialista em Análise Criminal, em Segurança Pública e também em Gestão Estratégica de Segurança Pública, o decreto do presidente Bolsonaro, pode prejudicar o trabalho de combate à violência que vem sendo realizado no Estado da Paraíba e em outras unidades da Federação.

Pelo novo decreto, fuzis, carabinas e espingardas não poderão ser vendidos para cidadãos comuns, e o Exército vai decidir quais armas serão proibidas, de acordo com a potência delas. Policiais e integrantes das Forças Armadas continuarão a poder comprar fuzis e carabinas. Colecionadores registrados no Exército poderão comprar até cinco armas de cada modelo entre as que tiverem venda permitida para todos. Caçadores registrados poderão ter até 15 armas e atiradores, 30 armas.

O major Vinícius lembra que, conforme o Mapa da Violência 2018, do Ipea, em 2016, 71% das pessoas assassinadas no Brasil foram mortas por arma de fogo. Na Paraíba, esse percentual foi de 78%, e em estados como Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte, chegou a 85%. Vinícius César acrescenta que uma das estratégias implementadas, na Paraíba, pelo Programa Paraíba Unida pela Paz, para a redução da criminalidade violenta foi o fortalecimento do combate às armas de fogo ilegais, o que também foi adotado em vários outros estados.

César ressalta que esse grande volume de apreensões sempre gerou preocupação aos gestores da Segurança, em razão de que muitas destas armas capturadas nas mãos de criminosos possuíam uma origem lícita anterior, como as subtraídas de empresas de vigilância, forças policiais ou dos próprios cidadãos que possuem o direito de posse. “Em janeiro de 2019, o Decreto No 9.685 facilitou a posse (adquirir e manter em casa), criando um critério objetivo para os residentes de praticamente todos os municípios brasileiros, conforme suas taxas de homicídios, o que pode influenciar na Segurança Pública gerando mais armas de fogo nas mãos de criminosos, caso ocorram roubos em residências com êxito, o que ainda não há evidências estatísticas de que tenha ocorrido”, pontuou.

Pedro Henrique Demercian, professor de direito processual penal da PUC-SP opina da seguinte forma: “Eu acredito que o decreto é ilegal, pois ele ampliou aquilo que o legislador do Estatuto do Desarmamento não quis. Não tem sentido você autorizar o armamento por meio de um decreto, ele tem que ser regulamentado pelo estatuto que cuida do porte de armas em todo território nacional. Quanto aos caçadores e colecionadores de armas poderem andar com as armas com munição, o decreto pode ser considerado inconstitucional, pois andar com arma munida é porte de arma e o Estatuto do desarmamento não autoriza o porte comum de arma de fogo a atirador e colecionador.”

 

Redação

Últimas notícias

MECA NORDESTINA: mais de 200 mil pessoas devem participar dos sete grandes eventos religiosos em Campina Grande durante o carnaval

Na Antiguidade, dizia-se que “todas as estradas levavam a Roma”. Hoje, milhões de muçulmanos seguem…

11 de fevereiro de 2026

Em reunião com João Campos, João Azevêdo apresenta pré-candidatos à Câmara Federal pelo PSB em 2026

O governador da Paraíba e presidente do PSB no estado, João Azevêdo, usou seu perfil…

11 de fevereiro de 2026

Com duas vagas em aberto, Valdemar vem à Paraíba no dia 22 para fechar chapa do PL e discutir filiação de Efraim Filho

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto, cumprirá agenda na Paraíba…

11 de fevereiro de 2026

Cícero Lucena ironiza previsão de Hugo Motta sobre crescimento de Lucas Ribeiro nas pesquisas: “Mãe Dináh”

A temperatura política na Paraíba segue esquentando a medida que o período eleitoral de 2026…

11 de fevereiro de 2026

Pedro Cunha Lima volta a driblar especulações sobre vice de Cícero e fala em “voltar a estudar”; ouça!

O deputado federal e presidente estadual do PSD, Pedro Cunha Lima, adotou uma postura cautelosa…

11 de fevereiro de 2026

MPF firma acordo para demolição parcial de prédio que avançou sobre terreno de marinha em João Pessoa

TAC obriga condomínio a remover parte de edificação construída irregularmente, recuperar área ambiental e pagar…

11 de fevereiro de 2026