Categorias: Política

Em oito anos, Lula foi a 85 países em busca de parcerias

PUBLICIDADE

Com visitas a 85 países em um período de oito anos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou em prática uma política de diversificação das relações do Brasil com o mundo que ajudou a projetar o país do ponto de vista econômico, mas que ao mesmo tempo colecionou polêmicas na arena política.

Com um discurso contrário à concentração das exportações brasileiras para um número "restrito" de países, Lula passou a usar as visitas internacionais como forma de "vender" o produto brasileiro em novos mercados.

A diversificação das relações, no entanto, também teve um forte cunho político, refletindo sobretudo a busca de apoio ao Brasil por um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. O fortalecimento da relação com a África é apontada por especialistas como "principal símbolo" dessa estratégia. Em oito anos, Lula visitou 27 países do continente, enquanto Fernando Henrique Cardoso esteve em apenas três deles.

Garoto-propaganda
"Lula assumiu como ninguém o papel de garoto-propaganda do produto brasileiro no mercado internacional. Sem dúvida o empenho foi bem-vindo, mas o resultado prático deixou a desejar", diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior (AEB), Fábio Martins.

Ele cita a permanência de barreiras sanitárias impostas por Estados Unidos, Rússia e Japão à carne brasileira, apesar das insistentes "reclamações" do presidente Lula junto a esses países.

Ainda segundo Martins, a busca por mercados consumidores menos tradicionais, como na África e no Oriente Médio, acabam tendo "pouco impacto" no total exportado. "O problema é que diversificamos para esses países, que têm menos peso comercial, e perdemos espaço em mercados altamente consumidores, como o dos Estados Unidos", diz Martins.

 

Em 2002, as exportações brasileiras para os Estados Unidos representavam 28% do total exportado, caindo para 11% em 2010. O governo, no entanto, argumenta que o processo de diversificação está "começando" e que as vantagens puderam ser constatadas durante a crise financeira, quando países dependentes da economia americana, como o México, sofreram um impacto muito maior do que o Brasil.

Relação política
O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense Williams Gonçalves diz que a política externa do presidente Lula seguiu a tradição "nacionalista" e que, nesse contexto, é "impossível" separar os interesses econômicos dos objetivos políticos. "A busca pela ampliação dos parceiros comerciais obedeceu a uma orientação política, que não chega a ser nova na história das relações internacionais do Brasil", diz o professor.

Sob a gestão do presidente Lula, o Brasil ampliou ou intensificou suas relações com países de fora do eixo ocidental – alguns deles com governos polêmicos, despertando uma série de críticas na opinião pública. O caso mais emblemático passou a ser o do Irã, acusado de abusos em direitos humanos, mas há também exemplos como Venezuela, Sudão, Líbia, Cuba e Guiné Equatorial, todos visitados pelo presidente Lula.

Na avaliação de Gonçalves, a diplomacia dos anos Lula foi "coerente", na medida em que privilegiou os "interesses nacionais". Como resultado concreto o professor cita a reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI), que segundo ele foi resultado, dentre outros fatores, de uma ação conjunta de Brasil, China e Índia.

"É claro que não vamos defender causas absurdas, mas precisamos fazer nossos cálculos. Uma parte da nossa sociedade quer que sejamos uma potência ética, mas isso não existe", diz o professor da UFF, lembrando que, assim como o Brasil, diversas outras democracias também têm relações próximas com governos polêmicos.

Já na avaliação do ex-secretário geral da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), Rubens Ricupero, o presidente Lula fez alguns "julgamentos equivocados" em sua busca por novos parceiros. "No caso do Irã, por exemplo, tentamos impor nossa agenda e tivemos um resultado negativo, que não deu certo", diz Ricupero, referindo-se à tentativa de acordo nuclear intermediada por Brasil e Turquia.

Terra

 

 

Últimas notícias

Botafogo-PB vence Serra Branca por 3×1 e é finalista do Campeonato Paraibano 2026

O Botafogo-PB é finalista do Campeonato Paraibano 2026. O Belo chegou seguidamente à sua terceira…

7 de março de 2026

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, um espetáculo constrangedor: a cruel exposição feminina no caso do Banco Master

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, o Brasil assiste a mais um espetáculo constrangedor.…

7 de março de 2026

Governo da Paraíba cria três novas Delegacias da Mulher para ampliar combate à violência

O Governo da Paraíba publicou, neste sábado (07), no Diário Oficial do Estado, um decreto…

7 de março de 2026

Índice de INDEI aponta PB como estado com maior índice de prosperidade no NE e o sétimo do Brasil

A Paraíba detém o maior ativo para a nova economia brasileira, obtendo a primeira colocação…

7 de março de 2026

Suspeito de agredir ex-esposa e quebrar objetos da casa dela é preso em Uiraúna

Um homem foi preso na madrugada deste sábado (07) suspeito de agredir a ex-esposa e…

7 de março de 2026

Corrida pelas vagas no TCE-PB: Assembleia inicia análise das candidaturas de Taciano Diniz e Deusdete Queiroga

O Diário do Poder Legislativo (DPL) deste sábado (07) confirmou os nomes dos candidatos inscritos…

7 de março de 2026