"O meu partido difere em muitos pontos do programa do PT, que disputará com o filhote da ditadura o segundo turno, mas nossas diferenças jamais serão maiores que o risco de uma nova ditadura, nem maiores que a liberdade de nosso povo", diz o filósofo e escritor João Vicente Goulart (foto), justificando o apoio do Partido Pátria Livre à candidatura de Fernando Haddad (PT), na disputa pela presidência da República contra Jair Bolsonaro (PSL). Ele – que é filho do ex-presidente (deposto) João Goulart – disputou o Primeiro Turno da Eleição presidencial do dia 07 último, diz que sempre lutará, enquanto forças tiver, contra o retorno de uma ditadura, no Brasil. “Só se sabe quando uma ditadura se instala, num país, e jamais se saberá quando ela terminará”, adverte, pesaroso, oficializando apoio, na nota seguinte, ao candidato “O Povo Feliz de Novo”:

Quero neste momento pós-eleitoral, dirigir-me aos trabalhadores brasileiros, as mulheres, aos estudantes, às minorias de nosso povo a grande honra que foi minha candidatura em nome do Partido Pátria Livre, que com muita disposição propõe o resgate de uma nação solidária, mais humana, mais distributiva e justa, que Jango, meu pai, tanto sonhou para o Brasil até sua morte ainda no exílio e que a ditadura quis e quer continuar a esconder.

Diante da realidade emergida das urnas, não poderia me omitir diante do grande risco que corre a nossa nação neste segundo turno das eleições nacionais que elegerá o próximo presidente do país.

Eu que cresci no exílio, alfabetizei-me no exílio, casei no exílio e onde sequer me foi permitido ter meu primeiro filho dentro do território de minha Pátria, tenho a obrigação de repudiar as ditaduras, a brasileira específicamente, que ceifou a vida de meu pai e levou o povo brasileiro ao silêncio, a opressão do autoritarismo, as torturas, os desaparecimentos de combatentes que se insurgiram contra o totalitarismo e sufocaram nossa população por 21 anos de submissão aos coturnos, prepotência e domínio da força dos tanques e fuzis.

Saio da eleição de cabeça erguida, pois, apesar de uma campanha extremamente anti-democrática, onde não pudemos estar nos debates, não tivemos acesso à mídia, e quase sem orçamento para divulgação e translado em um país continental como o nosso, propusemos ao Brasil o melhor programa registrado no TSE entre todas as outras candidaturas.

Contra a ditadura, a opressão, ao ódio às minorias, ao homofobismo, ao direito dos povos autóctones, ao racismo e tantas outras propostas fascistas do candidato Bolsonaro, um herdeiro golpista disfarçado de candidato dos militares, venho me colocar ao lado das forças populares, da união nacional pelos direitos humanos, pela resistência a todo tipo de violência e opressão que possam centralmente cair mais uma vez, como a grande noite negra de 21 anos produzidos pelo o golpe de 1964 e que enterrou o sonho do projeto de Nação, das reformas de base.

O meu partido difere em muitos pontos do programa do PT, que disputará com o filhote da ditadura o segundo turno, mas nossas diferenças jamais serão maiores que o risco de uma nova ditadura, nem maiores que a liberdade de nosso povo.

Sabemos como as ditaduras começam, nunca sabemos quando terminam. Estamos prontos para caminhar juntos. Por isso, apesar de nossas diferenças, eu voto em Haddad para derrotar Bolsonaro.

Redação

 


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